<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017</id><updated>2011-04-21T19:24:22.169-03:00</updated><title type='text'>(...)</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-114075168833030790</id><published>2006-02-24T00:26:00.000-03:00</published><updated>2006-02-24T00:28:08.343-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;"Haviam-se passado momentos ou três mil anos? Momentos pelo relógio em que se divide o tempo, três mil anos pelo que Lóri sentiu quando com pesada angústia, toda vestida e pintada, chegou à janela. Era uma velha de quatro milênios.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não -- não fazia vermelho. era a união semanal do dia com a sua hora mais crepuscular. Era quase noite e ainda estava claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era nela intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Se a mulher fechava os olhos para não ver o calor, pois era um calor visível, só então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora mergulhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem por si próprios, o que os tornava lentos e pesados.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível -- que era seco como a febre de quem não transpira era amor sem ópio nem morfina. E "eu te amo" era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ah, e a falta de sede. calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências, por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida os dentes úmidos mas duros -- e sobretudo a boca voraz para nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada pelo planeta Marte.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. "Eu vos amo, pessoas", era frase impossível. a humanidade lhe era como morte eterna que no entanto não tivesse o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meio-dia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virara ferro enferrujado: há dois dias faltava água em diversas zonas da cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos-diamantes, e de vibração parada. E o Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. &lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Enquanto isso era verão. Verão largo com o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, era a farpa na parte coração dos pés. Lamentar não ter casado e não ter filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não se banharia. Era por ódio que não havia água. nada escorria. A dificuldade era uma coisa parada. É uma jóia diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E se o Deus se liquefaz enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo é a morte parada, é a Eternidade de trilhões de anos das estrelas e da Terra, é o cio sem desejo e os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos com gosto secreto da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Pois não há mais julgamento. Não é um perdão que tenha vindo depois de um julgamento. É a ausência de juiz e condenado. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio seco, quero é isto mesmo, e que não chova.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E exatamente então ela ouve alguma coisa. Uma coisa também seca que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem uma saliva, que rola, mas aonde? No céu nu e absolutamente azul nenhuma nuvem de amor que chore. deve ser de muito longe o trovão. Ao mesmo tempo o ar tem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim adocicado na casa ao lado. A Índia invadindo o Rio de Janeiro com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água -- para quem não tinha senão pérolas, será que a noite vai chegar? Vai ter madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia?&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Lóri não percebe que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada, e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E enfim o céu se abranda."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;    Clarice Lispector -- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-114075168833030790?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/114075168833030790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=114075168833030790&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/114075168833030790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/114075168833030790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/02/haviam-se-passado-momentos-ou-trs-mil.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-114022159642758353</id><published>2006-02-17T22:11:00.000-02:00</published><updated>2006-02-17T22:13:16.436-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Bem entendido, o verdadeiro amor é excepcional, dois ou três em cada século, mais ou menos. No resto do tempo, há a vaidade ou o tédio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albert Camus - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A queda.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-114022159642758353?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/114022159642758353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=114022159642758353&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/114022159642758353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/114022159642758353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/02/bem-entendido-o-verdadeiro-amor.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113988071104248557</id><published>2006-02-13T23:31:00.000-02:00</published><updated>2006-02-13T23:31:51.056-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Em nada adianta a certeza de que&lt;br /&gt;amanhã será&lt;br /&gt;era&lt;br /&gt;se hoje ainda é&lt;br /&gt;é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113988071104248557?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113988071104248557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113988071104248557&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113988071104248557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113988071104248557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/02/em-nada-adianta-certeza-de-que-amanh.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113945658733087968</id><published>2006-02-09T01:40:00.000-02:00</published><updated>2006-02-09T01:43:07.340-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A música rolava e os pensamentos idem. Em sentidos paralelos, apenas o choro diluído em notas, vez ou outra atinados pelo pensamento, como se as linhas melódicas - música e devaneio - se cruzassem de leve para logo após se perderem. Não havia por que caminharem juntas. Não tinha por que chorar. Acontecia, às vezes. Sentava na cama, deitava, sobrevoava. O piano chegava ao ápice da beleza acabrunhada. Mais uma vez o devaneio esbarrava na melodia. Como calar frente a nota tão linda? Como não chorar? E as lágrimas, afoitas, eram incógnitas. Por qual sentido? Se reta, se curva, se elipse, ele não queria saber. Não queria pensar. O que seria da vida sem o falso sentido disperso nos dias? E se se desse conta de que o sentido não havia? Como sobreviver? Preferia, música no limbo, não mais pensar. A questão é que haveria um novo sol. Não ter problema era um problema gigantesco. E, assim, desacreditando em sentidos, dava um sentido à sua vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113945658733087968?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113945658733087968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113945658733087968&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113945658733087968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113945658733087968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/02/msica-rolava-e-os-pensamentos-idem.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113875071138355603</id><published>2006-01-31T21:36:00.000-02:00</published><updated>2006-01-31T21:38:31.400-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(trecho do capítulo 28 de O jogo da amarelinha, do sr. Julio Cortázar).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Compreenda-me, Ronald -- falou Oliveira, apertando-lhe um joelho. -- Você é muito mais do que sua inteligência, é óbvio. Esta noite, por exemplo, aquilo que nos está acontecendo, agora, aqui, é como um desses quadros de Rembrandt onde apenas brilha um pouco de luz num canto, e não é uma luz física, não é isso que tranqüilamente você chama e situa como lâmpada, com suas velas e volts. O absurdo é acreditar que podemos apreender a totalidade daquilo que nos constitui neste momento ou em qualquer momento, intuí-lo como algo coerente, algo aceitável, se você prefere. Cada vez que entramos numa crise, o absurdo se torna total. É preciso compreender que a dialética somente pode arrumar os armários no momento de calma. Você sabe perfeitamente que no ponto culminante de uma crise procederemos sempre por impulso, ao contrário do previsível, praticando a barbaridade mais inesperada, e pode se dizer que, precisamente nesse momento, se verificará uma saturação de realidade; não lhe parece? A realidade precipita-se, mostra-se com toda a sua força e, então, a nossa única maneira de enfrentá-la consiste em renunciar à dialética, essa é a hora em que damos um tiro em algém, em que pulamos do navio, em que tomamos um tubo de Gardenal, como o Guy, em que libertamos o cachorro da sua corrente, em que fazemos qualquer coisa que nos ocorra. A razão só nos serve para dissecar a realidade na calma, ou para analisar as suas futuras tormentas, nunca para resolver uma crise instantânea. Todavia, essas crises são como demonstrações metafísicas, meu caro, um estado que, talvez, se não tivéssemos seguido pelo caminho da razão, seria o estado natural e corrente do pitecantropo ereto. E essas crises que a maioria das pessoas considera escandalosas, absurdas, eu pessoalmente tenho a impressão de que servem para mostrar o verdadeiro absurdo, o absurdo de um mundo ordenado e calmo, com um quarto onde diversos caras tomam café às duas da manhã, sem que, realmente, nada disso tenha o menor sentido, a não ser um sentido hedonista, o bom de estarmos ao lado deste aquecimento que se prolonga tão gostosamente. Os milagres nunca me parecem absurdos. O absurdo é aquilo que os precede e o que vem depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113875071138355603?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113875071138355603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113875071138355603&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113875071138355603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113875071138355603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/01/trecho-do-captulo-28-de-o-jogo-da.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113839517341814422</id><published>2006-01-27T18:51:00.000-02:00</published><updated>2006-01-27T18:54:16.253-02:00</updated><title type='text'>Cortázar</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;trecho do capítulo 2 de O jogo da amarelinha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Naqueles dias de década de cinquënta, comecei a me sentir encurralado entre a Maga e uma noção diferente daquilo que poderia ter ocorrido. Era ridículo revoltar-me contra o mundo-Maga e o mundo-Rocamadour, quando tudo me dizia que, mal recuperasse a independência, deixaria de me sentir livre. Hipócrita como poucos, incomodava-me com uma espionagem à altura da minha pele, das minhas pernas, da minha maneira de gozar com a Maga, das minhas tentativas de papagaio na gaiola lendo Kierkegaard através das grades e creio que, sobretudo, me incomodava o fato de a Maga não ter consciência de ser minha testemunha e de, pelo contrário, estar convencida da minha soberana autarquia; mas não, o que verdadeiramente me exasperava era saber que nunca mais voltaria a estar tão perto da minha liberdade quanto estive naquela época em que me sentia encurralado pelo mundo-Maga, e que a ansiedade que tinha de libertar-me era meramente uma confissão de derrota."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113839517341814422?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113839517341814422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113839517341814422&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113839517341814422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113839517341814422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/01/cortzar_27.html' title='Cortázar'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113824334367591224</id><published>2006-01-26T00:39:00.000-02:00</published><updated>2006-01-26T00:42:23.686-02:00</updated><title type='text'>Cortázar</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho inicial de O jogo da amarelinha (isto é, depende de como você começará a ler).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;"Encontraria a Maga? Tantas vezes, bastara-me chegar, vindo pela rue de Seine, ao arco que dá para o Quai de Conti, e mal a luz cinza esverdeada que flutua sobre o rio deixava-me entrever as formas, já sua delgada silhueta se inscrevia no Pont des Arts, por vezes andando de um lado para o outro da ponte, outras vez imóvel, debruçada sobre o parapeito de ferro, olhando a água. E, então, era muito natural atravessar a rua, subir as escadas da ponte, dar mais alguns passos e aproximar-me da Maga, que sorria sempre, sem surpresa, convencida, como eu também o estava, de que um encontro casual era o menos casual em nossas vidas e de que as pessoas que marcam encontros exatos são as mesmas que precisam de papel com linhas para escrever ou aquelas que começam a apertar pela parte de baixo o tubo de pasta dentifrícia.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Todavia, ela agora não se encontraria sobre a ponte. O seu fino rosto de pele translúcida estaria admirando os velhos portões do gueto Marais, talvez batendo um papo com alguma vendedora de batatas fritas ou comendo cachorro-quente no boulevard de Sébastopol. De qualquer forma, caminhei até a ponte, confirmando que a Maga, de fato, não estava lá. Desta vez, não me surgira no caminho e, ainda que conhecêssemos perfeitamente os nossos endereços, cada recanto dos nossos dois quartos de falsos estudantes em Paris, cada reprodução abrindo uma pequena janela Braque ou Ghirlandaio ou Max Ernst, em contraste com as molduras baratas e os cretones, mesmo assim, era certo, nenhum de nós iria procurar o outro em sua casa. Preferíamos o encontro casual na ponte, no terraço de um café, num cineclube ou, talvez, curvados sobre um gato em qualquer pátio do bairro latino. Andávamos por Paris sem nos procurarmos, mas sabendo sempre que andávamos para nos encontrar. Oh, Maga! Cada mulher parecida com você trazia como um silêncio ensurdecedor, uma pausa, rendada e cristalina, que acabava por murchar tristemente, como um guarda-chuva molhado que se fecha (...)."&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113824334367591224?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113824334367591224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113824334367591224&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113824334367591224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113824334367591224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/01/cortzar.html' title='Cortázar'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113805922234433520</id><published>2006-01-23T21:33:00.000-02:00</published><updated>2006-01-23T21:33:42.360-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Minhas novas noites&lt;br /&gt;são nossos velhos ocasos&lt;br /&gt;perpetuados sem mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113805922234433520?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113805922234433520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113805922234433520&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113805922234433520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113805922234433520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/01/minhas-novas-noites-so-nossos-velhos.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113763586570865849</id><published>2006-01-18T23:57:00.000-02:00</published><updated>2006-01-18T23:57:45.720-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>- Pensou em mim nesses dias em que estivemos separados?&lt;br /&gt;- Sim, algumas coisas me fizeram lembrar de você.&lt;br /&gt;- hmm... E você me fez lembrar de algumas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113763586570865849?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113763586570865849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113763586570865849&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113763586570865849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113763586570865849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/01/pensou-em-mim-nesses-dias-em-que.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113686508886331753</id><published>2006-01-10T01:50:00.000-02:00</published><updated>2006-01-10T01:54:05.816-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Antes do relógio ou de qualquer instrumento de tamanha precisão, já havia quem soubesse que um dia era dividido por aproximados oi-ten-ta-e-seis-mil-e-qua-tro-cen-tos-se-gun-dos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um sujeito magro, diziam; alto, de andar vacilante e olhar alheado, parecia estar fora da vida. Ledo engano. Sua magnífica descoberta - da divisão do dia em x segundos - veio a comprovar: ocorreu durante as 24 horas em que esteve longe da mulher amada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113686508886331753?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113686508886331753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113686508886331753&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113686508886331753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113686508886331753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2006/01/antes-do-relgio-ou-de-qualquer.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113518924144538956</id><published>2005-12-21T16:19:00.001-02:00</published><updated>2005-12-21T16:20:41.456-02:00</updated><title type='text'>Nietzsche</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Tudo que é profundo ama a máscara: as coisas mais profundas têm mesmo ódio à imagem e ao símile. Não deveria o &lt;i&gt;oposto&lt;/i&gt; ser o disfarce adequado para que o pudor de um deus se apresentasse? Uma pergunta digna de ser feita: estranho seria se algum místico já não tivesse ousado coisa assim. Há eventos de natureza tão delicada, que faríamos bem em soterrá-los e torná-los irreconhecíveis através de uma grosseria; existem atos de amor e extravagante beleza, após os quais é aconselhável tomar um bastão e surrar a testemunha, para lhe turvar a lembrança. Alguns conseguem maltratar e turvar a própria memória, para vingar-se ao menos desse cúmplice – o pudor é criativo. Não são as coisas ruins aquelas de que mais nos envergonhamos: não existe apenas insídia por trás da máscara – há muita bondade na astúcia. Posso imaginar que um homem, tendo algo precioso e frágil a esconder, rolasse pela vida, tosco e redondo, como um velho tonel de vinho fortemente guarnecido: a fineza do seu pudor assim desejaria. Um homem cujo pudor é profundo encontra também seus destinos e sutis decisões em caminhos que poucos alcançam, e de cuja existência os mais íntimos e próximos não podem saber: seu perigo mortal se oculta aos olhos deles, e também sua reconquistada certeza de vida. Esse homem oculto, que instintivamente usava a fala para calar e guardar, e é incansável em esquivar-se à comunicação, &lt;i&gt;deseja&lt;/i&gt; e solicita que uma máscara ande em seu lugar, nos corações e nas mentes dos amigos; e, supondo que não o deseje, um dia seus olhos se abrirão para o fato de que no entanto lá está sua máscara – e de que é bom que seja assim. Todo espírito profundo necessita de uma máscara: mais ainda, ao redor de todo espírito profundo cresce continuamente uma máscara, graças à interpretação perpetuamente falsa, ou seja, &lt;i&gt;rasa&lt;/i&gt;, de cada palavra, cada passo, cada sinal de vida que ele dá. –" &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113518924144538956?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113518924144538956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113518924144538956&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113518924144538956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113518924144538956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/12/nietzsche_21.html' title='Nietzsche'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113425408725650954</id><published>2005-12-10T20:34:00.000-02:00</published><updated>2005-12-10T20:34:47.266-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Toda a tristeza da simultaneidade das gotas que caem da chuva da madrugada se detém aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113425408725650954?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113425408725650954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113425408725650954&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113425408725650954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113425408725650954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/12/toda-tristeza-da-simultaneidade-das.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-113211375753278221</id><published>2005-11-16T02:01:00.000-02:00</published><updated>2005-11-16T02:02:37.543-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Caminhava tortuosamente pela ruela. Trocava os pés, as pernas, tentava precipitar o chão na cara. Murmurava palavras entre dentes, sorrisos entre lábios, olhares desconexos. O solo era de paralelepípedo, margeado por meio-fios sem desnível e cadeiras desaprumadas. Queria chegar ao ponto de ônibus, mas não sabia o quanto caminhara naqueles trinta segundos de caminhada. Deixara o bar, as moedas, os amigos, que tomavam outra direção. As luzes se multiplicavam, desfocadas, e sua garganta detinha vidro entre as amigdalas, porque o gelo e o choque térmico com a cachaça (ainda que dosada, ainda que parca) foram suficientes. Bebera cerveja o dia inteiro, hora de despeja-la. O álcool e os amendoins se assomariam ao degelo do coração num vômito só. Mas ele ainda não sentia vontade, estava no olho do furacão. E caminhava. Caminhava ainda que torto. Sentia, sabe-se lá como, que o céu precipitava contra o chão que precipitava contra a cara. Gotas finas, espaçadas no tempo. Parou por um instante, verteu o centro do mundo, direcionou o céu ao chão, o crânio ao céu, e sentiu uma gota nos olhos. Uma, duas, três. Concentravam-se nele, era o que achava, e por isso, desviava. Desviava, agora, feito um doido canhestro das gotículas da chuva. Caminhava quase tropeçando nas gotas e no chão, que já não era de paralelepípedos, pois já não estava na ruela de segundos atrás. Alcançara a principal, a 28 de Setembro. Precisaria de uns bons trinta metros até o ponto de ônibus. E seguia assim, sem pensar, sem sentir, conectado à realidade pelas gotas e pelos tropeços. Ziguezagueava e era cada vez menos feliz nas tentativas esquivas. As gotas aumentavam, e venciam a batalha desleal. Os carros estavam próximos, o meio-fio já cedia lugar à rua. Suas pernas mal sentiram o desnível do meio-fio, seus ouvidos sequer notaram as buzinas. Seu corpo se habituara às gotas, e já se saía melhor. Desviava de mais gotas, se molhava menos. E gritavam, “louco”, “bêbado”, “sai daí”, “quer morrer?”. Mas quem era ele para ouvir? A chuva aumentava, o chão voltava a precipitar contra a cara, cada vez mais vertiginoso. Suas pernas já não suportavam o peso das gotas contra o corpo, ele ia desabar, os carros desviavam, os ônibus freavam, ele caminhava em direção à outra pista, ia cair, ia, ia cair, joelho contra joelho, pé contra pé, cérebro contra coração, pum: desabou. Estava, por sorte, na calçada oposta. De gatinhos, inutilmente esboçava reação contra as gotas, torrenciais. Perdera a batalha. Estava ensopado, sem poder contra o corpo. Olhou o chão, que centrifugava ao seu redor, precipitando-o ao inferno. As luzes, já não-desfocadas, eram sombras. Os olhos iam cerrando, a boca cedendo, a pulsação vacilando. Não pensou em nada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-113211375753278221?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/113211375753278221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=113211375753278221&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113211375753278221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/113211375753278221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/11/caminhava-tortuosamente-pela-ruela.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112900634211422509</id><published>2005-10-11T01:50:00.000-03:00</published><updated>2005-10-11T01:56:58.300-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Porque o verdadeiro pensamento é um sentimento, um apelo que te faz desconjuntado na mão de titereiro imperioso, uma resposta momentânea ao condicionamento da inércia, um coração que precipita exaltado. E não creia o pensar abaixo de outros sentir, porque nada é mais significativo que pensar, e só quem sente o que pensa compreende o que digo. Me recuso a acreditar que você não entenda o pensar como a forma mais plena do sentir, como teu orgasmo peremptório, como o único fazer do que somos, e não há amor ou ódio ou paixão-alheia que desvie o átimo do pensar, pois nada captura e se deixa capturar melhor pela Paixão. E na contramão de tudo o que já foi dito, só quem pensa vive – momentâneo que seja – o presente. (porque deus, sapeca que só, quando fez de nós Homens, privou-nos da maior dádiva que a nossa condição de Ser pensante poderia verdadeiramente almejar: o presente).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112900634211422509?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112900634211422509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112900634211422509&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112900634211422509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112900634211422509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/10/porque-o-verdadeiro-pensamento-um.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112787987281513158</id><published>2005-09-28T00:55:00.000-03:00</published><updated>2005-09-28T00:57:52.820-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O tempo é, sem dúvida, engraçado. Mas o Homem – o Homem – não tem par na graça. Ser pensante que é, é o único que sempre está sem nunca estar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112787987281513158?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112787987281513158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112787987281513158&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112787987281513158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112787987281513158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/09/o-tempo-sem-dvida-engraado.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112667197519452400</id><published>2005-09-14T01:25:00.000-03:00</published><updated>2005-09-14T01:26:15.200-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não entendi o seu recado para mim: Beatriz é fora-de-série...&lt;br /&gt;- Não entendeu?&lt;br /&gt;- Não. Por que você termina o "Beatriz é fora-de-série" com dois pontos, ao invés de ponto final? O que vem depois dos dois pontos?&lt;br /&gt;- Depois vem você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112667197519452400?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112667197519452400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112667197519452400&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112667197519452400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112667197519452400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/09/no-entendi-o-seu-recado-para-mim.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112511238585574877</id><published>2005-08-27T00:11:00.000-03:00</published><updated>2005-08-27T00:13:05.860-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu quero um nome&lt;br /&gt;que mate o nome&lt;br /&gt;desse deus&lt;br /&gt;que me mata anônimo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112511238585574877?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112511238585574877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112511238585574877&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112511238585574877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112511238585574877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/08/eu-quero-um-nome-que-mate-o-nome-desse.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112460287460915552</id><published>2005-08-21T02:39:00.000-03:00</published><updated>2005-08-21T02:41:14.616-03:00</updated><title type='text'>Thomas Bernhard, em "Perturbação".</title><content type='html'>"Nos últimos tempos era um homem completamente debilitado, totalmente debilitado. Não era difícil imaginar o que tivera que sofrer meu pai para poder estar finalmente morto. Decobrimos em todo o seu corpo marcas dos maus-tratos que tinha infligido a si mesmo. Todo o seu corpo estava marcado pelos maus-tratos. Aquele homem tão inteligente! De um dos seus livros outrota preferidos, O mundo como vontade e representação, que tinha levado da biblioteca para seu quarto, faltavam as páginas mais decisivas. Ele as comera. 'Schopenhauer foi sempre para mim o melhor alimento', escrevera meu pai, poucas horas antes de se suicidar, num papel que um dos investigadores da polícia havia encontrado com a data de 22 de Outubro de 1948. Meu pai havia desmanchado o paletó e o cortara em tiras estreitas que amarrou numa corda. A princípio quis enforcar-se, mas no último instante lhe pareceu melhor matar-se com um tiro. E assim, suas últimas mensagens foram melhor disparar um tiro, escritas numa folha em branco numa página arrancada de O mundo como vontade e representação."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112460287460915552?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112460287460915552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112460287460915552&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112460287460915552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112460287460915552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/08/thomas-bernhard-em-perturbao.html' title='Thomas Bernhard, em &quot;Perturbação&quot;.'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112404600005771604</id><published>2005-08-14T15:58:00.000-03:00</published><updated>2005-08-14T16:01:47.313-03:00</updated><title type='text'>Do tempo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes do relógio ou de qualquer instrumento de tamanha precisão, já havia quem soubesse que um dia era dividido por aproximados oi-ten-ta-e-seis-mil-e-qua-tro-cen-tos-se-gun-dos. Era um sujeito magro, diziam; alto, de andar vacilante e olhar alheado, parecia estar fora da vida. Ledo engano. Sua magnífica descoberta - da divisão do dia em x segundos - veio a comprovar: deu-se nas exatas 24 horas que precederam o reencontro com sua paixão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112404600005771604?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112404600005771604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112404600005771604&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112404600005771604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112404600005771604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/08/do-tempo.html' title='Do tempo'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112284867622973842</id><published>2005-07-31T19:23:00.001-03:00</published><updated>2005-07-31T19:24:37.766-03:00</updated><title type='text'>Fausto infausto</title><content type='html'>Sou um Fausto infausto&lt;br /&gt;que nunca foi fausto.&lt;br /&gt;Sou Fausto pelo nome&lt;br /&gt;infausto por ser Fausto.&lt;br /&gt;E cá, neste Fausto,&lt;br /&gt;mesmo qualquer fausto&lt;br /&gt;seria um infausto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112284867622973842?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112284867622973842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112284867622973842&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112284867622973842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112284867622973842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/07/fausto-infausto_31.html' title='Fausto infausto'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112262087140380086</id><published>2005-07-29T04:04:00.000-03:00</published><updated>2005-07-29T04:07:51.410-03:00</updated><title type='text'>Confusão</title><content type='html'>Quero entender o tempo;&lt;br /&gt;não posso.&lt;br /&gt;O tempo não existe.&lt;br /&gt;A compreensão do que não existe&lt;br /&gt;está na ignorância do que existe.&lt;br /&gt;Ignoro-me por completo.&lt;br /&gt;Neste caso,&lt;br /&gt;compreendo-me perfeitamente;&lt;br /&gt;ou não existo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112262087140380086?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112262087140380086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112262087140380086&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112262087140380086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112262087140380086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/07/confuso.html' title='Confusão'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112182932699332447</id><published>2005-07-20T00:13:00.000-03:00</published><updated>2005-07-20T00:15:27.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Se eu fosse uma piscina, teria como chão um solo em declive; e, ainda que desse pé, amigo algum procuraria o fundo. Todas as pessoas, todos os seres, todos que conheço nadariam no raso e comprariam bóia para nadar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112182932699332447?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112182932699332447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112182932699332447&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112182932699332447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112182932699332447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/07/se-eu-fosse-uma-piscina-teria-como-cho.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-112122935908455984</id><published>2005-07-13T01:35:00.000-03:00</published><updated>2005-07-13T01:38:20.463-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Agora que aqui estou, deitado nesta cama detestável, com a tevê desligada, os jornais espalhados, e o laptop fodido, tento não pensar. Tento não relembrar, tento não respirar, tento não acordar. Quero dormir, dormir, somente dormir, e desta forma controlar o tempo. Quero fechar os olhos e acordar no instante do nunca, na linha limítrofe da vida, aquela que de tão fina se mistura com a morte. Peço morfina, peço calmantes e outras coisas que me ajudem nessa sorte, mas já não me dão. Sabem que não mais suporto a dor e por isso me cortaram a morfina, os calmantes e as alegorias. Viverei pouco, quem sabe semanas, talvez dias. Não por isso espero compaixão, ou sentimento semelhante. Pretendo apenas desafogar. Talvez, pelo contingente de nauseabundos; pela osmose do desconsolo. Pouco importa; o que importa é que escrevo. E se escrevo, escrevo pela metafísica que desconheço. Escrevo porque escrevo, e nada mais me interessa agora. Durante a vida, busquei compreensão, busquei um sentido. Mas aqui, nesta cama, não vejo sentido, não sinto visão. Escrevo: basta. E sei que você se pergunta o que tem a ver com isso. Eu respondo: nada. É apenas um receptor. Um receptor alheio de coisas alheias, como tudo na vida. Não nos conhecemos, não quero te conhecer. Quebraria a magia, o encanto desvaneceria. Não me procure, não me adivinhe. O hospital é grandioso, são muitos quartos e enfermarias, estão todos assim, como eu fui um dia, vivendo como mortos, ligados em suas tevês, lendo seus jornais, recebendo a dose diária de morte temperada com morfina. Todos impassíveis, estagnados em suas camas, atrelados a paradigmas inquebrantáveis. É a natureza, meu caro. Chego ao fim dela, à quebra do ciclo, à única quebra possível do paradigma. Não há mais tevê nem jornal nem sexo nem família que me engane. É só a verdade. Ou a mentira. Ou a verdade da mentira. Ou a mentira da verdade. Tanto faz. O importante é que nada nos separa, exceto o auto-engano. Cortaram-me as doses de morfina. Cortaram a morfina das doses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-112122935908455984?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/112122935908455984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=112122935908455984&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112122935908455984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/112122935908455984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/07/agora-que-aqui-estou-deitado-nesta_13.html' title=''/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111956459635671229</id><published>2005-06-23T19:09:00.000-03:00</published><updated>2005-06-23T19:21:57.416-03:00</updated><title type='text'>sem título</title><content type='html'>Os cérebros subsistem;&lt;br /&gt;os lábios sorriem;&lt;br /&gt;os corações ainda batem:&lt;br /&gt;bem vindo à evolução fisiológica da hipocrisia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111956459635671229?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111956459635671229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111956459635671229&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111956459635671229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111956459635671229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/06/sem-ttulo.html' title='sem título'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111802552325413584</id><published>2005-06-05T23:35:00.000-03:00</published><updated>2005-06-05T23:42:40.810-03:00</updated><title type='text'>Pela raiz</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;Em homenagem a um amigo, Rodrigo Castro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em se tratando de coração, não existe cortar o mal pela raiz. Você acaba cortando as coronárias dele, as cavas, os aurículos, o ventrículo esquerdo, o ventrículo direito, e, finalmente, com a sua melhor das intenções, como quem não quisesse mágoas, você corta a aorta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111802552325413584?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111802552325413584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111802552325413584&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111802552325413584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111802552325413584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/06/pela-raiz.html' title='Pela raiz'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111664460329614614</id><published>2005-05-21T00:01:00.000-03:00</published><updated>2005-05-21T00:03:23.303-03:00</updated><title type='text'>Hace 20 años</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E de repente escrever já não faz mais sentido, e quando isso ocorre nada mais faz sentido, como se parado num tumulto eu estivesse, e no meio do tumulto  acordasse, procurasse e não achasse, mesmo não sabendo o que procurar. E zonzo, como quem acordasse de um pesadelo, tentaria caminhar, mas veria pessoas e pássaros e zumbidos, e disso resultaria a angústia que eu evito quando busco um sentido, um falso sentido, um sentido fingido com palavras de via dupla, que chegam aos que me lêem como fuga do ócio e saem dos meus dedos como busca de um sentido, sentido-ócio, ócio-sentido. E que diferença faz se quem foge do ócio encontra o meu sentido, perdido, como mais um sentido entre milhões de tropeços? Não importa se é isso a que se resume, fora da aparência, fora da matéria, e de todas essas complicações banais. Nada importa quando, dentre tantos sentidos que eu posso viver, tropeço nesse onde não tenho mais por que(m) sentir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111664460329614614?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111664460329614614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111664460329614614&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111664460329614614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111664460329614614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/05/hace-20-aos.html' title='Hace 20 años'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111551073156273547</id><published>2005-05-07T21:02:00.000-03:00</published><updated>2005-05-07T21:05:31.566-03:00</updated><title type='text'>sem título</title><content type='html'>O tempo é&lt;br /&gt;tão engraçado que,&lt;br /&gt;quando me aproximo de&lt;br /&gt;dizer que sou,&lt;br /&gt;já fui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111551073156273547?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111551073156273547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111551073156273547&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111551073156273547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111551073156273547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/05/sem-ttulo.html' title='sem título'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111465978738416666</id><published>2005-04-28T00:38:00.000-03:00</published><updated>2005-04-28T00:43:07.383-03:00</updated><title type='text'>O Papa</title><content type='html'>Fotogênico.&lt;br /&gt;Fotogênico.&lt;br /&gt;Fotogênico.&lt;br /&gt;Conservador.&lt;br /&gt;Conservador.&lt;br /&gt;Conservador.&lt;br /&gt;Anticomunista.&lt;br /&gt;Anticomunista.&lt;br /&gt;Anticomunista.&lt;br /&gt;Anticomunista.&lt;br /&gt;(Pró-capitalista.&lt;br /&gt;Pró-capitalista.&lt;br /&gt;Pró-capitalista.&lt;br /&gt;Pró-capitalista.)&lt;br /&gt;Homem-de-mídia.&lt;br /&gt;Homem-de-mídia.&lt;br /&gt;Homem-de-mídia.&lt;br /&gt;Homem-de-mídia.&lt;br /&gt;Homem-de-mídia.&lt;br /&gt;teólogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111465978738416666?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111465978738416666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111465978738416666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111465978738416666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111465978738416666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/04/o-papa.html' title='O Papa'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111422970758916061</id><published>2005-04-23T01:04:00.000-03:00</published><updated>2005-04-23T01:16:57.186-03:00</updated><title type='text'>Brecht</title><content type='html'>"- Grooch, você é um velho arrombador. Sua profissão é arrombar casas. Não penso em dizer que essa profissão está, na sua essência, ultrapassada. Seria ir longe demais. Mas é na forma que está atrasada, Grooch. Você é um pequeno artesâo, isso diz tudo. É uma posição inferior, sei que você não nega isso. O que é uma gazua diante de uma ação bancária? O que é um arrombamento de banco diante da fundação de um banco? O que é, meu caro Grooch, o assassinato de um homem diante da exploração de um homem? Veja, há alguns anos roubamos uma rua inteira, feita de paralelepípedos de madeira, nós os tiramos do chão e os levamos dali. Achamos que tínhamos feito uma grande coisa. Na verdade, fizemos trabalho inútil e nos expusemos ao perigo. Pouco depois ouvi dizer que basta ser vereador e interessar-se pela distribuição de incumbências. Aí a gente recebe como tarefa uma rua dessas, e por algum tempo se tira bons lucros sem correr qualquer risco. Noutra ocasião, vendi uma casa que não me pertencia; casualmente estava desocupada. Coloquei um cartaz na frente dela: "Vende-se, informações na XX". Era eu. Ninharias! Emprego realmente imoral e inútil e de meios ilegais! Basta, com algum dinheiro, construir pequenas moradias desconjuntadas, em série, vendê-las a prestação, e esperar que o dinheiro dos compradores acabe! Aí se tem as casas novamente, e pode-se vendê-las mais algumas vezes. Isso tudo, sem que a polícia tenha nada a ver com a coisa! E veja agora o nosso negócio: fazemos arrombamentos à noite, tirando das lojas as mercadorias que desejamos vender. Para quê? Se as lojas quebrarem por que vendem caro demais, ainda assim poderemos ter os artigos comprando-os legalmente a um preço que ainda ficará abaixo das despesas de um arrombamento. E, se você dá valor a isso, teremos roubado do mesmo modo que num arrombamento; pois os estoques das lojas arruinadas já tinham sido roubados às pessoas que os tinham fabricado, e às quais havíamos dito: trabalhem ou morram! É preciso trabalhar legalmente. É como um esporte! (...) Hoje em dia empregam-se métodos mais pacíficos. A violência brutal está ultrapassada. Como eu disse, não se enviam mais assassinos quando podemos mandar um oficial de justiça. Temos de construir, não demolir, quer dizer: temos de dar a nossa colaboração na construção."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bertolt Brecht, &lt;/span&gt;Romance dos três vinténs (Ed. Nova Fronteira, 1976,  Pág.  223-224)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Publicado em 1934, nada mais atual).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111422970758916061?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111422970758916061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111422970758916061&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111422970758916061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111422970758916061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/04/brecht.html' title='Brecht'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111379510237337542</id><published>2005-04-18T00:28:00.000-03:00</published><updated>2005-04-18T00:31:42.373-03:00</updated><title type='text'>Diálogo 1</title><content type='html'>- E mesmo depois de tudo o que eu disse, do desabafo, do aceno ao fim, você permanece assim, impassível, frio? Sua temperatura continua a mesma. Não senti uma gota de suor gelado. Você nem sequer está chorando. Seu monstro!&lt;br /&gt;- E quem disse que eu não estou chorando?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111379510237337542?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111379510237337542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111379510237337542&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111379510237337542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111379510237337542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/04/dilogo-1.html' title='Diálogo 1'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111311071850156013</id><published>2005-04-10T02:24:00.000-03:00</published><updated>2005-04-10T02:26:29.973-03:00</updated><title type='text'>Carnaval</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Quero fazer da minha vida um eterno carnaval. Entrando sábado, saindo terça, entrando sábado, saindo terça. Nesses quatro dias onde eu me perco de tudo, mas logo me acho. Me acho na quarta. O sol amanhece, a rua vazia, a esperança de segundos a mais de carnaval. Nesses momentos de pôr-do-sol inebriado, queria fechar os olhos e abrir no sábado, e poder reviver tudo novamente, de um modo diferente, mas na mesma intensidade. Me perderia de tudo. Dos dias, das semanas, dos meses, dos anos - da vida. Após um tempo, não entraria sábado e nem sairia terça, seria apenas um dia, um único dia de noventa e seis, onde cada segundo sentido duraria um carnaval vivido. Às vezes, embriagado, me perderia num beco e sairia em outro, outra rua, outra cidade, outro carnaval. E viveria assim, entrecortado por segundos de prazer, gozando e fazendo gozar, toda essa maravilha que é não-pensar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111311071850156013?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111311071850156013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111311071850156013&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111311071850156013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111311071850156013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/04/carnaval.html' title='Carnaval'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-111034326581721995</id><published>2005-03-09T01:39:00.000-03:00</published><updated>2005-03-09T01:41:05.816-03:00</updated><title type='text'>A vida da poesia ou A poesia da vida</title><content type='html'>A poesia começa:&lt;br /&gt;num fundo branco,&lt;br /&gt;inatingível a rodeios;&lt;br /&gt;num mundo branco,&lt;br /&gt;inacessível a alheios;&lt;br /&gt;num átimo em branco,&lt;br /&gt;inacabável e sem freio.&lt;br /&gt;A poesia termina:&lt;br /&gt;sem o fundo branco,&lt;br /&gt;inextirpável dos recheios;&lt;br /&gt;sem o mundo branco,&lt;br /&gt;inexplicável pelos receios;&lt;br /&gt;sem o átimo em branco,&lt;br /&gt;inefável e a passeio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-111034326581721995?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/111034326581721995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=111034326581721995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111034326581721995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/111034326581721995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/03/vida-da-poesia-ou-poesia-da-vida.html' title='A vida da poesia ou A poesia da vida'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110930217076230219</id><published>2005-02-25T00:17:00.000-03:00</published><updated>2005-02-25T00:31:37.800-03:00</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;Não sabia o que dizer. A notícia era estrondosa, e por isso silenciou a voz. Articulou palavras nas cordas vocais, mas elas estavam impotentes. Saber aquilo, daquela forma, era demais. Encolheu-se no casaco; fez desaparecer primeiro as mãos, depois os braços. Da calça de moletom, fez outro esconderijo. Comprimiu os dedos, entortou os pés. A cabeça perdera-se por entre gola e capuz. Assim, fez da vestimenta uma carapaça e desapareceu na cenografia da vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;A vontade nem sempre começava na inteligência. Por vezes, sobrevinha como o suor. Uma transposição de sentimentos que seus dedos não podiam conter. Porque o cérebro, durante a escrita, era um mero subterfúgio. Nada do que escrevia era consciente. Tudo vinha de uma vontade cega. Era como um escravo que transpirava sentimento num papel. Muitas vezes, titubeou racionalmente. Pensou delinear o sentimento de outra forma. Pensou proferir palavras, ao invés de silencia-las num papel. Mas não tinha coragem. Era, sobretudo, um covarde, e por isso calava e escrevia. No dia onde quis impostar o sentimento, proferindo graves palavras ao vento, não conseguiu. Era uma vontade imperativa de dizer o que sentia. Mas não conseguiu. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;    &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Àquela altura, havia escrito tanto, mas tanto, que secara.&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110930217076230219?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110930217076230219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110930217076230219&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110930217076230219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110930217076230219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/02/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110870438316483853</id><published>2005-02-18T03:22:00.000-02:00</published><updated>2005-02-18T03:26:23.166-02:00</updated><title type='text'>Bruna Monteiro, 30 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Palavras codificadas e decodificadas e ainda assim inefáveis. A distância menosprezada pela tecnologia, atenuante da saudade, mas inflamável em se tratando de desejo. Toda essa impessoalidade e frieza numa sucessão de pulsos inexplicáveis. Todos esses fatos e miudezas. Tudo isso em mim, hoje, impreterivelmente. Deitada, coberta até a cintura por um edredom desbotado, penso e repenso e tento decodificar as sensações perdidas para sempre no tempo. Tudo codificado ao meu redor. A incapacidade deflagrada pela ignorância de um sentimento incognoscível. Olho para o teto, para o relógio, para o tic-tac do relógio, e penso: posso decodificar? Meu caráter, meu espírito, minha dor: posso decodificar? Me sinto uma incompetente. Uma boçal. Nada sei explicar, tudo sei sentir. As coisas se manifestam em mim de forma assustadora. Fazem de mim um corpo como outro qualquer. Penso: qual o significado disso? qual o significado desse sorriso, desse cabelo, desse olhar? Não entendo por que a carne, por que os ossos, se minha essência está no intocável. Não vejo diferença entre meus olhos azuis e os castanhos da mamãe. Não vejo diferença no que entra, no que sai. Para que, além da perpetuação da espécie? Para que, além desse continuísmo degradante? Penso: os espelhos são um deboche de Deus. Repenso: os olhos são um deboche de Deus – re-codificam existências em imagens, e me fazem crer que tudo é claro, quando na verdade nada é claro. Todas as imagens, todos os cenários não me dizem nada. Vejo imagens que não fariam diferença alguma se as pudesse sentir. Aqui, deitada na cama sob o edredom desbotado, sei que estou viva, porque sinto. E é aqui o esconderijo do meu desalento. Porque sentir, só por sentir, dói, alegra - mas passa. Mas sentir e querer entender é foda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110870438316483853?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110870438316483853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110870438316483853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110870438316483853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110870438316483853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/02/bruna-monteiro-30-anos.html' title='Bruna Monteiro, 30 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110818119115344551</id><published>2005-02-12T01:44:00.000-02:00</published><updated>2005-02-12T02:08:45.086-02:00</updated><title type='text'>Dois pra lá, dois pra cá</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para compensar a ausência carnavalesca, dois diários.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Anna Pereira, 11 anos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Hoje mamãe me ensinou a fazer chá. Ela disse que era muito simples. Só botar o saquinho no copo e depois a água quente. Mas ela não me deixou botar a água quente. Disse que era perigoso. O gosto é ruim demais. Parecia quando mamãe me fez comer jiló. Só que jiló é pior. Terminei de beber o chá e quase vomitei. Mamãe riu, disse que ia me ensinar a tomar chá. Não sei se quero. Chá é muito ruim. Mas é fácil fazer. Mais difícil é dever de casa. É chato. Não gosto. Mamãe diz que tenho que fazer para ser igual a ela. Ela começou fazendo chá. Pega o copinho, bota o saquinho e a água quentinha. Vou contar para as minhas colegas. Quero fazer chá todos os dias. É legal. Vou dizer que sou quase uma adulta agora. Já sei fazer chá. Não quero nem jogar vídeo-game. Gostei de fazer chá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"  &gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Júlio Moraes, 46 anos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: center;"&gt;O resumo de mim. E o porquê.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt; &lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Descobri a simplicidade de um chá. Ergui o saquinho, pousei sobre o copo, e enchi de água fervendo. Tudo sob o olhar atento de minha mãe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt; Descobri a facilidade da vida num chá. Era de gosto amargo, quase me fez vomitar, mas ali, naquele chá, percebi sinais de independência.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Tinha oito anos. Era uma menina serelepe, das que soltam pipa e jogam futebol. Não me dava muito com o lar e com os seus afazeres. Gostava de tudo na mão. Até o dia do chá. A partir dali, passei a ficar em casa. Minha mãe obtivera a vitória segredada. Tudo o que ela sempre quisera, compunha-se de forma natural, e o chá era o culpado. Logo aprendi a fazer arroz - quase tão simples quanto um chá. Depois a enxaguar a roupa, a lavar calcinhas no banho, a fazer ovo, a ferver o feijão, frango, rosbife, a passar roupa - pronto: tinha meus dezessete anos e estava pronta para o casamento. Naquela época, pipa e bola de gude faziam parte de um passado imemoriável. Meu presente era a cada dia mais maduro; e se, antes, estava pronta para casar, depois, já estava casada. O que num papel decorre em poucos segundos - algumas letras - na vida demora meses. Te conheci sob os conselhos casamenteiros de meu pai. Não deu outra. Lá estava no altar, depois na chuva de arroz, na lua-de-mel em Rio das Ostras, na nossa casa do subúrbio. Aos dezenove anos, apresentava dotes superiores aos de minha mãe. Era diligente e sabia como ninguém as atividades domésticas. E foi assim. Vinte e sete anos numa rotina degradante. Da rotina, fiz uma prisão. Não sei se por culpa minha, ou sua, tornei-me dependente em demasia. Sabia tudo de uma casa, mas nada da dita "vida prática". Mal sabia andar no centro da cidade. Sozinha, só saía de casa para as eventuais compras domésticas. E a dependência não era apenas estrutural. Criei um hábito emocional. Mesmo numa mesmice da porra, mesmo num nojo acumulativo, não conseguia me desvencilhar de você. E fui assim, seguindo a rotina, até esse: .&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110818119115344551?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110818119115344551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110818119115344551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110818119115344551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110818119115344551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/02/dois-pra-l-dois-pra-c.html' title='Dois pra lá, dois pra cá'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110696593424586076</id><published>2005-01-29T01:27:00.000-02:00</published><updated>2005-01-29T00:32:14.246-02:00</updated><title type='text'>Maria das Dores, 42 anos</title><content type='html'>  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Você. Você e sua pele reluzente. Você e seus longos cabelos dourados. Você e seus olhos azuis. Você e seu sorriso deslumbrante, seu caminhar deslizante, seu nariz arrebitado, ah, esse nariz tão amado, a expirar, inspirar, sempre tão cíclico, que vai e volta e vem e se desfaz num toque suave. Você e sua perna torneada, você e sua panturrilha retesada, seus pés maravilhosos, sedosos, mentalmente sedosos. Você e sua harmonia, você e seu desespero, e sua agonia, e seu tempero, e tudo o que guarda aí, por detrás dessa lâmina, querido espelho.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;      &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;(Às vezes, queria entrar em você. Fazer parte de uma ilusão assumida e abdicar da hipocrisia diária. Queria, como num passe de mágica, ser bidimensional e reter o que há de singelo e traduzir a fiel imagem de tudo. Todas as luzes do mundo como um sobretudo, e eu a refletir, pois aqui, nesse corpo insano, sou opaca e, como opaca, absorvo a todos e não reflito nada. As samambaias, as magnólias, as roupas, meus filhos, meu marido: absorvo tudo e às vezes sinto azia ao ruminar. E como dói, dói a ponto de sorrir, e de me olhar ao espelho e de desistir. Muitas vezes, quero ter a coragem necessária para não dormir e sentir a eternidade pulsar em meus poros e me conduzir estrada afora. Mas não posso. Todos dependem de mim, e tudo o que eu faço aqui é essencial, lavar, passar, enfim. Às vezes, como um tipo de espelho, queria que meus pensamentos fossem meros reflexos e não invenções. Queria ter nas plantas alguém para me apoiar; queria ouvir e não inventar as respostas silenciosas. Queria findar essa fuga incontrolável de felicidade que, ano após ano, viaja sei-la-pra-onde e faz de mim uma correnteza onírica, impotentemente onírica e vermelha de solidão. Se eu amo o espelho, amo a possibilidade da imaginação, amo esse dom de criar e fantasiar e de me travestir de ilusões. E isso é sobrevivência, jamais pura vaidade.)&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Plumas e paetês. Confete, serpentina: quase uma Colombina. Ouço passos apressados enquanto, suave, me imagino Colombina. E o Pierrot? O Pierrot saiu por aí, atrasado e confiante – uma promoção no restaurante. Não, não. Não quero mais isso. Quero Rapunzel. Pega vestido, solta paetês, faz, desfaz, pronto: tenho minhas tranças douradas. E daqui, de cima da cama, abstraída dos 40, jogo minhas tranças e rogo ao amado, “não demore, desgraçado”, mas ele não sobe. Tem medo. Medo de altura. Ora, mas quê? Não quer subir e não sobe – arredio, o rapaz. Eu solto um foda-se bem largo e me visto de puta. Mas que diferença, fantasia moderna. Pego a calça (da Gang), o top, e pronto, tô como todas. E como todas, porque agora sou travesti. E tenho pica da boa para elas. E para eles. Pulo, pulo, pulo, o troço balança: me visto de esperança. E, assim, com o verde esperançoso sobre os olhos e um sorriso amarelo no rosto, me deparo com o Pierrot, que não é Pierrot, é um sujeito barrigudo, calvo, beirando os 50, ele entra, então, no quarto, larga a pasta na cama, deita esbaforido e diz: “Tem café, amor?”. Pronto: agora sou Maria.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110696593424586076?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110696593424586076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110696593424586076&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110696593424586076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110696593424586076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/01/maria-das-dores-42-anos.html' title='Maria das Dores, 42 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110644366303862626</id><published>2005-01-22T23:20:00.000-02:00</published><updated>2005-01-22T23:29:45.760-02:00</updated><title type='text'>Demétrius Ferreira, 75 anos</title><content type='html'>  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dia desses, me deparei com uma constatação assustadora: o meu passado é fruto da minha imaginação. Alvo de uma doença degenerativa, venho há muito tempo forjando meu passado, anotando em papéis e em diários coisas que não fiz, que certamente quisera ter feito, mas não fiz, e por isso, sabedor da amnésia, construí um passado de glórias e de alegrias. E de tempos em tempos, quando surtava e esquecia o passado, relia meus diários e me alegrava ao saber que tinha uma história digna de orgulho. Provavelmente, continuava essa história – tomado por uma vontade inexprimível – dando seqüência à farsa de surto em surto. Mas infelizmente tudo me foi revelado. Puseram fim à minha ilusão e fizeram de mim um homem sem conteúdo; arrancaram-me a essência, o recheio da minha vida, e me deixaram somente a casca podre. Quem sou eu? O que eu fiz?, pergunto-me constantemente. Se tivessem a decência de me contar, mas não, não tiveram. Preferiram o silêncio. E hoje, passo o tempo em busca de memórias, tentando reconstruí-las em minha mente a fim de não perder o conteúdo de uma vida. Faço isso por medo, pavor. É uma luta voraz, desigual e cruel, pois a idade me condena ao esquecimento. Sei que ninguém lerá essas palavras, assim, elas nunca existirão, exceto em minha memória, que ainda assim dentro em breve apagará essa lembrança, fazendo dessas palavras a prova irrefutável da inexistência de um momento. Pois o tempo passado só existe se relatado. Só existe se comprovado. Quantos segundos se perderam ao longo da História? Quantos deles imiscuíram-se ao nada? Assim, os momentos têm o cruel prazer de existir e inexistir de acordo com minha memória e meu conhecimento. O que aconteceu a mim que, anos atrás, nesse mesmo horário, dormia, sonhava ou espirrava? O que aconteceu àquele momento? Perdeu-se. Existiu e inexistiu. Nasceu e morreu. Provavelmente, nem em minha memória teve vida. Logo passado foi excluído do rol da existência. Somente agora, por especulação, sobrevive. O tempo é cruel, por isso. A existência é cruel, assim. Tiram da vida momentos marcantes e relegam aos "insignificantes" a inexistência. E a cada dia que passa, o esquecimento aumenta, meus contemporâneos tombam. Tudo caminha para um fim definitivo, e o tempo é o principal culpado. Esse tempo, que nada é além do triunfo da inexistência. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“E agora, que não sei o que é verdade, o que é mentira, o que é conto da carochinha, agora, que não sei de nada? O que dizem os jornais, é verdade ou estória? E a História, quem escreveu? Quem inventou?” Preocupações como essas dividem minha busca. Mas logo desisto. Há coisas mais urgentes, como saber se o que eu li no parágrafo acima é verdade ou é mais uma das minhas ficções.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110644366303862626?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110644366303862626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110644366303862626&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110644366303862626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110644366303862626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/01/demtrius-ferreira-75-anos.html' title='Demétrius Ferreira, 75 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110610930363123030</id><published>2005-01-19T02:15:00.000-02:00</published><updated>2005-01-19T03:12:26.033-02:00</updated><title type='text'>Mudanças</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer a &lt;a href="http://val.no-pressure.org/"&gt;Valéria&lt;/a&gt; , que foi a responsável pela belíssima mudança no meu layout. Valeu!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como deve estar claro (cinza?), o layout do blog mudou. Não apenas o layout como alguns detalhes. Há um menu, embaixo da logomarca, que tembém mudou. Nesse menu, cinco seções foram criadas, onde, ao clicar com o mouse, janelinhas (pop-ups) abrirão com os possíveis submenus de cada seção. Assim, no link "O blog", aparecerá "Prólogo" e "Créditos"; este, são os créditos do blog; aquele é uma introdução a esse blog (Coisa que já era pra ter sido criada, se não fosse minha preguiça). No "Diários passados", todas as personagens criadas aparecerão com links individuais, onde você poderá ler cada personagem separadamente. Em "Contos", evidentemente estarão os contos que possivelmente postarei. "Links do mundo", blogs amigos, sites que visito, etc. E em "O autor" informações básicas sobre mim, além das formas de contatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Qualquer problema que vocês identificarem - links que não abrem, etc - , me avisem nos comentários. Um grande abraço a todos, e até sábado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110610930363123030?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110610930363123030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110610930363123030&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110610930363123030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110610930363123030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/01/mudanas.html' title='Mudanças'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110522560375183258</id><published>2005-01-08T20:59:00.000-02:00</published><updated>2005-01-08T21:06:43.750-02:00</updated><title type='text'>Reveillon</title><content type='html'>  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Começara a estranhar pelo trânsito. Eu nunca chegara a Copacabana de forma tão tranqüila como naquele dia. Nas proximidades do bairro, eu já não encontrava carro nas ruas. Ninguém transitava. Os sinais não funcionavam, o comércio estava fechado e nem policiamento havia. Estacionei o carro próximo a Avenida Atlântica e rumei à praia e, enquanto caminhava, não via ninguém. Nem mendigo, nem pivete. Eu pensava “e se alguém cancelou o evento?”. “E se mudou de local?”. “Não, não; não seja tolo. Se mudasse você saberia, a tevê avisaria com antecedência”. Mas eu sabia que se a tevê ou os jornais avisassem eu não tomaria conhecimento de nada, assim como não tomaria conhecimento de fato algum naquelas últimas duas semanas. Estava mentalmente isolado do mundo e tinha apenas uma idéia na cabeça, mesmo quando, havia uma hora atrás, aguardava a virada do ano com meus pais, que naquele instante deveriam estar angustiados e bastante chateados com a minha saída intempestiva de casa.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Tomei a iniciativa de passar o reveillon com eles havia uns dois dias. Depois de quatro anos freqüentando o reveillon de Copacabana, finalmente voltaria ao tradicional reveillon dos Borges. Eles sempre privaram pela união familiar em datas importantes, mas de uns tempos para cá, mais precisamente há quatro anos, amargavam um solitário reveillon. Naquele ano, eu não tive motivação para ir a Copa. Estava descontente e deprimido, e queria sentir aquele gosto de tradição, aquele afeto familiar que eu tanto desfrutara durante minha infância e adolescência. Sobretudo, seria uma recompensa a eles, uma recompensa a um casal de velhos que já não contavam com seu único filho para evento algum. Cheguei a me entusiasmar com um reveillon a três, com as rabanadas, os pastéis, o arroz-com-lentilha, as frutas... Mas eis que às 22, quando todos demonstravam uma alegria comedida, eu decidi sair de lá. Estava cansado de representar. Fingir que nada ocorrera, que eu estava verdadeiramente feliz por passar ali o reveillon. Peguei o carro e parti a toda para Copacabana. Pelo menos lá veria milhões de pessoas.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;            Cheguei à Avenida Atlântica em transe. Enquanto errava por ela, ou quando saí da Princesa Isabel e olhei e chorei com o Meridien pronto para a cascata, eu vi que estava realmente sozinho. Volvi e revolvi a cabeça, do Leme ao posto 6, e não vi ninguém. Vasculhei, parado, atônito, todas as sombras da Av. Atlântica e não percebi sequer um vulto. Era impossível. O que acontecera? Será que previram algum Tsunami, alguma catástrofe, será que ninguém passaria o reveillon ali? Olhei para a orla. Os palcos, como o previsto, estavam montados. Os banheiros químicos estavam instalados e as barcas, ao fundo da praia, indicavam que os fogos chegaram e que nada fora suspenso. Até os telões, ligados em cenas retrospectivas, afastavam a hipótese de cancelamento.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim, decidi caminhar para ver se encontrava alguém que, como eu, fora pego de surpresa com a ausência dos milhões. Mas ao longo da orla – República do Peru, Tonelero, Constante Ramos – eu não vi nada além de um cachorro vira-lata que dormia mansamente no meio da avenida mais famosa do Brasil. Já passavam das 23:58, logo, logo os fogos deveriam estourar e eu tropegamente me contentava com o vento gelado do verão de dezembro. Os telões já se agitavam; os números começavam a surgir; dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um, e os fogos estouraram. Eu não podia crer. Um foguetório armado para uma única pessoa. Um reveillon particular em plena Copacabana. Eu olhava, procurava, e nada. Nem nos prédios havia gente. Não havia ninguém ali. Cansado, enquanto um foguetório frio - o pior que vira em tantos reveillons - marcava a sinfonia de uma noite desoladora, eu retornei na esperança de rever o cachorro. Pelo menos ele me alegraria a visão. Quem sabe ali, eu não o beijasse e o abraçasse, sem me importar com as sarnas e as pulgas? Mas nem isso pude fazer. O cachorro já não estava na avenida. Provavelmente assustado, correra pelas ruas transversais em busca de um abrigo sonoro, como eu andava e corria e me desesperava em busca de um abrigo humano. Pensando nisso e na solidão, desejei o mar como moradia. E foi então que o vulto surgiu. Do meio das sombras, como quem quisesse observar a noite, foi se afastando, todo de branco, de costas para mim, e virou luz no meio da fria avenida.. Parti desesperado atrás daquele brilho intenso, perseverando nele o alento que uma sombra espera da luz. Chamava, gritava, mas tudo inutilmente. Só quando alguns passos nos separavam, pude vislumbrar o que aquele vulto esguio e pomposo me suspeitara: era ela. Só podia ser ela. Corri o máximo que pude e freei o ímpeto para saudá-la com um toque sutil. Ela virou com seu olhar desinteressado, sorriu brevemente, e me beijou na testa. Um beijo sutil, um beijo instantâneo, mas para mim inigualável. Não pude ver o seu rosto enquanto minha testa era beijada; preferi fechar os olhos; sei lá, medo de olha-la de perto, medo de não ser perdoado; mas, acima de tudo, fechei os olhos para gozar. Não sei quanto tempo se passou. Para ela, talvez dois segundos, mas para mim uma eternidade. Sim, uma eternidade, pois aquele beijo foi o suficiente para mover carros e cachorros, crianças e mulheres, homens e gatos, enfim, foi o suficiente para transferir dois milhões de pessoas esfuziantes, que agora estavam ali, na Av. Atlântica, festejando os fogos, degustando o champanhe e comemorando a esperança de um novo ano, assim como eu comemorava a esperança de tê-la novamente.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110522560375183258?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110522560375183258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110522560375183258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110522560375183258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110522560375183258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2005/01/reveillon.html' title='Reveillon'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110368579916656108</id><published>2004-12-22T01:11:00.000-02:00</published><updated>2004-12-22T23:52:51.380-02:00</updated><title type='text'>Mara Ceneviva, 26 anos</title><content type='html'>  &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Num amigo-oculto. Foi lá que tudo aconteceu. No último, aliás. Depois daquele não tive condições de participar de mais nenhum. Todo ano o meu setor fazia essa festinha de natal, e todo ano eu participava. Nunca achei graça. Participava mais por "obrigação". Eu não falava com a Clara, tampouco com o Jaime. Ela era uma vadia egoísta e ele um idiota. Com o resto do pessoal, eu tinha um relacionamento morno, daqueles que se cozinha sem sal e em banho-maria. Portanto, eu não tinha motivos para confraternizar com ninguém. O único dali que eu tive um relacionamento foi com o Alfredo.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ele foi meu namorado. Acho que o mais intenso. Talvez por isso, tamanha repulsa depois que terminamos. Eu simplesmente não compreendia como pudera gostar daquilo. Ele era fresco demais. Poesias e canções mela-cueca faziam parte de seu repertório apaixonado. A cada dia que passava ele escrevia algo pior, e eu, apaixonada, achava aquilo tudo uma beleza. Durou seis meses. Um dia eu despertei daquele coma induzido e vi que era preferível ser só. Ele ficou obviamente desenganado, desiludido e todos esses adjetivos de dor-de-cotovelo. Inconsolável, tentou me adivinhar por semanas. Mas eu não estava nem aí pra ele. Queria mais era esquecer que tinha divido minha vida com alguém tão melado e grudento.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Quando ele se matou, faltavam dois dias para o amigo oculto. Dois dias antes, nossa separação completara dois meses de existência (ou inexistência?). Eu soube da notícia num café, enquanto observava os pombos e a chuva. Fiquei desolada, óbvio. Saber que fui o motivo de um suicídio me corroeu profundamente. E o filho-da-puta do Alvinho nem se dignou a gastar seu dinheiro numa ligação. Mandou uma mensagem idiota dizendo: "Fala, Mara. É o seguinte. O Alfredo se matou. O Jaime acabou de me dizer. Qqr coisa me liga". É claro que liguei. E ele confirmou. Achei que fosse brincadeira, mas ele confirmou. Ainda disse, rindo: "tá podendo, hein". &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt; Mas não vou nem falar do enterro. Já tá me doendo demais escrever isso aqui. Sempre evitei. Sempre. Meu diário tem páginas e páginas em branco que expressariam melhor aquele momento. Mas, sei lá. Eu precisava escrever. O fato é que dois dias depois estávamos trancafiados numa sala para a distribuição dos presentes. Respirávamos, todos, o &lt;i&gt;ar condicionado&lt;/i&gt; que o Alfredo respirou por dois anos naquela empresa. Eu tentava inutilmente encontrar resquícios de sua respiração; qualquer expiração que ainda estivesse ali perdida, aturdida, buscando uma saída pela porta que permanecera trancada desde a sua morte. Mas os presentes não se importavam. Celebravam discretamente o amigo-oculto, torcendo para que a vez de Alfredo não chegasse. Mas eles sabiam que chegaria: "bem, gente”, disse Elisa. “Meu amigo-oculto é o Alfredo. Não sei o que dizer. Não sei a quem entregar isso". Foi o motivo que faltava para o choro teatral. Todos choraram, exceto eu. Pensei que seria uma puta sacanagem dividir lágrimas com aqueles sacripantas. O único sincero daquela corja era o Jaime. Era um idiota, mas eu sentia dor em suas lágrimas, pois eram amigos, verdadeiramente amigos. E assim, nessa condição, ele pediu para dizer algumas palavras. "Pronto", pensei eu. "Lá vem um discurso de quem mal sabe falar". E todos esperaram o mesmo, pois todos sabiam que Jaime falava como um boçal. Mas ele ficou quieto. Por alguns segundos, como se buscasse forças, teve espasmos faciais e ficou quieto. Sabiamente, ao invés de desperdiçar palavras em sentimentos indizíveis, pegou uma caixa atrás de si e entregou a mim. "Mara, você era o amigo-oculto de Alfredo. Junto do corpo dele, tinha uma carta onde ele pedia que eu entregasse esse presente a você. Toma. Me deu trabalho conseguir isso. Mas acho que é de coração". Era uma caixa maior que o meu punho. Pensei em não abrir, em não mostrar a ninguém aquilo que Alfredo destinou a mim. Antes fizesse isso, evitaria o asco geral. Mas era parte da brincadeira. Eu tinha que desatar aquele nó. Então, tomei coragem e desatei. Desfiz o nó e chacoalhei a caixa tentando adivinhar o seu conteúdo. Mas não. Não houve adivinhações. Era impossível adivinhar. Seria impossível que um simples chacoalhar me adivinhasse ao coração de Alfredo, e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110368579916656108?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110368579916656108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110368579916656108&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110368579916656108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110368579916656108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/12/mara-ceneviva-26-anos.html' title='Mara Ceneviva, 26 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110248249951405051</id><published>2004-12-08T02:57:00.000-02:00</published><updated>2004-12-08T03:08:19.516-02:00</updated><title type='text'>Raul Ribeiro, 62 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dois pacotes de biscoito Trakinas por dia. Pontualmente após o almoço e o jantar. O corpo repousando em frente à tevê. A barriga crescendo em dobras flácidas pra frente e pros lados. O despertar confuso pela manhã, implorando por minutos a mais de um sonho que certamente não entende. A escola primária, quase ginasial, local de confusões, alheamentos e idiotices. A tevê. A tevê de novo, sempre a tevê. Oito horas por dia em frente à tevê. Os bonecos e o forte apache como banalidades de um passado antiquado. Agora é a modernidade que educa. Meu neto, fermentando à base de biscoito Trakinas e tevê. Daqui a pouco é o computador. A internet, a fascinante internet, que colaborará com sua formação idiota. Agora ele está aqui, correndo, coisa que nunca o vi fazer, correndo atrás de uma bola, ao lado do cachorro, ofegante, parando de móvel em móvel, buscando a respiração, correndo outra vez, desarrumando tudo o que a empregada arrumara mais cedo. Logo, logo, se cansará. Se cansará de sua estafante brincadeira de dez minutos com o cachorro, sentará no sofá e apertará o mágico e pegajoso botão da tevê. Pedirá um pacote de biscoito Trakinas e o devorará em minutos. E eu aqui, entrevado nessa cadeira, nessa cadeira de rodas, sem poder falar, aguardando o descompasso dos dias, do coração, do cérebro, o descompasso da vida, esperando que ela me transforme num vegetal, coisa que por mim já deveria ter ocorrido. Sim, porque prefiro não entender nada, nada que me deprima, como meu neto, cada vez mais deprimente, um reflexo dos pais. Agora que estou aqui, na sacada do meu apartamento, no décimo sexto andar, recebendo minha cota diária de sol, escrevendo garranchos, os primeiros desde o colapso, vejo o quanto fui permissivo com tudo. Com meu filho, principalmente, que fez o que sempre quis de sua vida, degradando-a cada vez mais, até chegar a esse ponto, aos 29 anos, tão rico e insensível. Ele sempre foi afeito aos clichês. Ele fez de sua vida o modelo de homem versátil e pragmático. Encontrou para si uma esposa fútil, amante dos cartões de créditos e das fofocas de colunas sociais. Gerou e educou um filho nojento, na verdade, O Filho da classe média, gordinho, óculos na cara, amante de Teletubbies, Pokemón e outras anestesias cerebrais. E eu aqui, impotente, observando os azulejos, as samambaias e os insetos. Especialmente um me chama a atenção. Uma mosca varejeira, que voa e faz barulho, voa desorientada, trombando nos obstáculos da varanda. Ela voa por mais de dez minutos. Ensandecida. Cansada. Parecendo buscar um local para repousar suas patas asquerosas. Sim, encontra. Encontra um local. Um ótimo local. Um excelente local para crescer, engordar e servir de alimento. Uma teia de aranha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110248249951405051?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110248249951405051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110248249951405051&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110248249951405051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110248249951405051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/12/raul-ribeiro-62-anos.html' title='Raul Ribeiro, 62 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110220581338765479</id><published>2004-12-04T22:14:00.000-02:00</published><updated>2004-12-04T22:17:46.516-02:00</updated><title type='text'>Mais uma pausa, mais um conto</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro conto meu. Clique &lt;a href="http://cantodoconto.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt; para ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110220581338765479?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110220581338765479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110220581338765479&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110220581338765479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110220581338765479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/12/mais-uma-pausa-mais-um-conto.html' title='Mais uma pausa, mais um conto'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110187833261706303</id><published>2004-12-01T02:54:00.000-02:00</published><updated>2004-12-01T03:18:52.616-02:00</updated><title type='text'>Yuri de Pádua, 34 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;O gel devidamente comprado na loja de conveniências. Só para isso. O banho demorado e desfrutado, como nunca fizera. Shampoo a torto e a direita. Condicionador e tudo o mais. A fricção frenética da enrolada toalha. Verde. O gel, agora sim, bem utilizado. Cabelo penteado para trás, brilhoso. Máquina de barbear recém-comprada. Instalação elétrica consertada para máquina de barbear. Vrroom. Barulhinho gostoso, sereno. Barba feita. Rosto de bebê. O gel pós-barba não faltou. Geladinho, sensação refrescante. Minha face devidamente aprumada. Cotonete aos ouvidos. Muitos. Todos sujos e despejados na lixeira. Indumentária especial para ocasião. Terno, gravata, camisa social, sapato. Até relógio. Um homem perfeito. Pasta de couro de jacaré. Papéis rabiscados. Táticas, anotações, divagações. Vermelhas. O relógio da cozinha a bater e a morosamente marcar os segundos. Espelho. Espelho de novo. E de novo. Arrumado como nunca. Aparência certinha, fechadinha, sem nenhuma contradição ou incoerência. Tic-tac, tic-tac. O relógio da vovó no corredor do quarto. A vitrola, os discos. Tudo herdado da geração 67. Eu a olhar e relembrar e me perder. Cuco-cuco. Chegada a hora. Do quarto pro corredor, do corredor pra sala, da sala pro quintal, do quintal pra rua de paralelepípedo, da rua pro ônibus, do ônibus pro Centro da cidade. Ali. Pedro Lessa. Aquelas barraquinhas de cds. Olhei para todas antes de me juntar aos meus. Um Jimi Hendrix perdido, um Sgt Peppers novinho, um Yield achado, e já era hora do babado. Eram quinhentos, mil, dois mil, sei lá. Muitos, diversos, todos com seus ternos, pastas, muito bem arrumados. O suor gotejando maquiagem num calor de quarenta graus. A poluição sonora recém-interrompida por uma barricada. O passo lento, feito marcha. Eu perfilado, numa fila indiana pra frente, pra trás e pros lados. Sim, era o dia. Era a tarde, a hora, o momento. Sim, era sim. A revolução, todo mundo ali, bradando por nossos direitos. Aumentos salariais, concessões, a queda do governo impassível ante ao caos. Sim, nós promoveríamos as mudanças. Nós, teóricos subversivos, de terno, pasta e gravata, ali, pondo a mão na massa, subvertendo a tudo e a todos, como sempre pregamos por nossas academias e filosofias. Subversão, subversão. É a nossa subversão. Durou uma hora. Todos sem perder o compasso, marchando quase ritmicamente aprumados numa estética quase perfeita e impressionante. Todos subversivos. Fazendo e representando e se confundindo na atual e bandida e fodida subversão.&lt;/div&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110187833261706303?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110187833261706303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110187833261706303&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110187833261706303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110187833261706303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/12/yuri-de-pdua-34-anos.html' title='Yuri de Pádua, 34 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110153696319844102</id><published>2004-11-27T04:25:00.000-02:00</published><updated>2004-11-27T04:36:30.180-02:00</updated><title type='text'>Felipe Antunes, 22 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Hoje, inexiste livro que me faça gozar intelectualmente. Já não existe música que me faça chorar. O mar, antes receptivo e atraente, hoje é uma fotografia mórbida das minhas raras excentricidades do cotidiano. As ruas eu não as percebo. A noite, que sempre me empolgara e me inebriara...a noite...como é difícil caminhar por ela e não sentir meu coração pulsar, com a eterna sensação de desfrute da vida. As boates, as festas, fazem parte de um exercício social decrépito e degradante que já não me acalenta com lembranças. Os objetivos nunca foram objetivos. Sempre subterfúgios. A internet, que antes me prendia e me viciava, hoje só me faz chorar pela solidão e pela maldita e cada vez mais presente impessoalidade. A internet veio para suprir a falta. Suprir a ausência. Com ela, sinto desnecessária qualquer visita a alguém que já não vejo há muito tempo. Afinal, nos encontramos sempre via web. Já não temos uma enxurrada de novidades para contar. Uma enxurrada de lembranças. Distribuímos as novidades homeopaticamente ao longo dos dias, a cada tab enter, ou (para quem prefere mais um monopólio do Gates) apenas enter. Também as mulheres, as várias, inúmeras, inomináveis (nunca lembro o nome de nenhuma) não me despertam prazer. Não lembro de rostos, de vozes, de gestos. Todas essas efêmeras banalidades, que antes me inebriavam, hoje não possuem formas, cores, não passam de lembranças, essas putas lembranças, de uma memória quase fodida (oxalá fodida), de alguém que vai à praia, ouve música, anda na noite, vai às festas, enfim, de alguém que vive o paradigma da felicidade juvenil, essa felicidade que todos querem postergar, essa maldita felicidade, que só me fode, só me estupra, me toma de assalto, que não significava nada para mim. Nunca me preocupei com ela. Mas hoje, assistindo a uma aula de cálculo diferencial e integral, descobri que minha vida é uma integral indefinida. E como toda integral indefinida, ela possui uma incógnita que é impossível determinar. Assim, o cálculo de qualquer integral indefinida é impreciso. Nunca possui resultado exato. E ainda hoje, divagando e divagando e divagando, descobri que preciso dessa incógnita. Todos precisam dessa incógnita. A maioria a chama de felicidade. Eu a chamo de Ariane ( E que se foda o clichê. A paixão é clichê).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110153696319844102?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110153696319844102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110153696319844102&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110153696319844102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110153696319844102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/felipe-antunes-22-anos.html' title='Felipe Antunes, 22 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110127059274529710</id><published>2004-11-24T02:20:00.000-02:00</published><updated>2004-11-24T02:36:48.530-02:00</updated><title type='text'>Amanda de Souza, 2328 toques</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Estou aqui. Minha face que se constrói no cérebro alheio; minha voz que semelha à voz de quem imagina; minhas palavras expostas como putas se oferecendo à noite. Eu, eu, eu – eu estou aqui, transposta a um papel, sabedora dos meus ínfimos 2000 toques de vida. Devo me apressar, devo me apressar. Finalmente tenho dois mil toques para provar meu valor, provar que devo permanecer, que devo ser explorada, devo ser ampliada. O que fazer? O que fazer? Trazer à tona meus desejos concupiscentes? Falar de minhas transas pré-programadas? Dos meus medos, repulsas e ódios? Pensei em tudo, tinha um discurso, um lirismo esfuziante que contagiaria o mais burro dos analfabetos funcionais. Mas agora, agora, chegada a hora, nada. Ai, ai, ai. Meu Deus. Já sei. Vou falar de algo inusitado, alguma melancolia, paixão mal resolvida, incesto, sei lá, qualquer coisa. Sempre deu certo, sempre deu, por que não agora? Dá com todo mundo, por que não comigo? Não posso falar do meu cotidiano, do meu dia-a-dia, das minhas unhas mal-aparadas. Ninguém vai querer, não serve pra nada, só pra mim. Nem pra mim. Também, o que dizer do mundo daqui de dentro? Ah, vou falar dos conflitos. Conflitos sempre é uma boa. Aqui tem vários. Uma competição desenfreada, todos em busca de espaço, em busca de exposição. Todos com seus lirismos devidamente ensaiados, com seus autores prediletos na memória, a fim de lhes roubarem algo, algo de estilo, de glamour, que chame a atenção, que mereça bons olhos, destaque, espaço, fama, glória. Alguns tiveram a sorte de mais de 30000 toques. Com essa estratégia de escolher um autor, misturar à personalidade e preconizar em lirismo, foram quase à glória dos 50000. Eu conheci um deles. Era todo prosa, todo arrogante. Falava que tinha personalidade forte, que ia se sobressair, que era mais ele. E não é que ele tava certo? Desgraçado. Ai, que inveja. Sei nem como estou aqui, com esse meu bla-bla-bla à toa. Devo estar com sorte....Merda. Estou pensando demais. Mas bora, bora, tenho que fazer algo decente, bora, cadê aquele seu ensaio, cadê aquele seu estilo arrebatador? Hein? Bora, menina, anda logo, tá acabando, quase no fim, e nada, não consigo, tô nervosa, ansiosa, medo de ser mais uma, de só ter vez num espaço quase não lido e saboreado e aplaudido e pra sempre perdido. Pior: medo de ser metalinguagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110127059274529710?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110127059274529710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110127059274529710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110127059274529710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110127059274529710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/amanda-de-souza-2328-toques.html' title='Amanda de Souza, 2328 toques'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110093038185592343</id><published>2004-11-20T03:57:00.000-02:00</published><updated>2004-11-21T02:55:18.713-02:00</updated><title type='text'>Pausa para um conto</title><content type='html'>Hm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena pausa para um conto. É só clicar aí:  &lt;a href="http://cantodoconto.blogspot.com/"&gt;Quando os Josés se confundem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Abs.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110093038185592343?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110093038185592343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110093038185592343&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110093038185592343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110093038185592343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/pausa-para-um-conto.html' title='Pausa para um conto'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110066553958173735</id><published>2004-11-17T02:02:00.000-02:00</published><updated>2004-11-17T02:32:10.670-02:00</updated><title type='text'>Gustavo Fonseca, 25 anos</title><content type='html'>  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Talvez seja presunção querer descrever o torpor que sofro nas livrarias. Em meio a milhares de livros, desligo-me do mundo externo e adentro num mundo particular. Começo procurando autores prediletos, observando os seus romances e ensaios. Mas aos poucos, autores escondidos nas mais diversas e recônditas partes de meu cérebro surgem à luz do raciocínio. Revelam-se a mim como novos, juntos com o pensamento: “Como pude esquecer deste autor?”. E essa simples pergunta desencadeia outras tantas, com o mesmo intuito de garimpar nomes esquecidos no meu mundo. É curioso. Sempre quando me encontro sob o ambiente desses autores que sobre uma cama não ousaria esquecer, parece que a maioria se esconde, assustados talvez com a avidez de meus pensamentos e com o ímpeto dos meus desejos. E logo, como se percebessem que esse desejo provém de um nobre sentimento, eles começam a figurar o meu mundo até descortinarem quase plenamente o véu da ignorância momentânea. E é sempre nesse momento que meu mundo particular choca-se com o mundo real. Abruptamente olho o relógio e percebo: passaram-se poucos minutos em muitas horas. E se com essa conclusão nasce o sentimento que fatalmente me fará comprar um livro, instantes de tensão tomam conta de mim. Uma dúvida dilacerante nasce no coração, e, como o sangue, é distribuída a todas as partes do meu corpo exaurido: qual livro comprar? Nessas horas, sinto-me como se tivesse que optar entre dois filhos para me acompanhar numa viagem sem volta; é como se a necessidade de comprar um, e apenas um, me impusesse imperativamente a decisão correta entre tantos livros. Distante do mundo real, provavelmente perderia horas nesse embate cruel. Mas os dois mundos já haviam se encontrado no limite possível entre o bom sonho e o pesadelo. O tempo, eternamente implacável, havia despejado em mim todo o seu peso. Racionalmente, pensava: “não posso passar tanto tempo aqui. Chega ser constrangedora a situação a qual me encontro – mortificado pela escolha de um livro. Parece que tenho medo de me decepcionar. Já sei. São cinco e quarenta, vou me dar o direito de escolher até às cinco e cinqüenta. Passado esse tempo, vou embora, tendo ou não chegado a uma decisão”. Mas terminado o pensamento, eu já sabia que ele era falso. Eu apenas raciocinara sob a imposição de uma personalidade pragmática; que se a hora determinada chegasse, e eu não houvesse optado por um livro, indubitavelmente eu permaneceria ali, até decidir. Assim, todas as vezes que eu entro numa livraria disposto a comprar, eu saio de lá com um ou mais livros na bolsa e com uma leve sensação de saudade, que, levada a sério, me prenderia eternamente àquele local – longe de tudo, inclusive do tempo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110066553958173735?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110066553958173735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110066553958173735&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110066553958173735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110066553958173735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/gustavo-fonseca-25-anos.html' title='Gustavo Fonseca, 25 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110038048876699004</id><published>2004-11-13T19:02:00.000-02:00</published><updated>2004-11-13T19:49:07.353-02:00</updated><title type='text'>Marina Alcântara, 27 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na última vez que escrevi, havia sido convidada a participar de um grande festival de teatro. Encenava uma adaptação de Brecht. O espetáculo estourara e eu me fazia de onipresente na cidade. Eram entrevistas, palestras, aulas... Nos tempos vagos, treinava arduamente a fim de vencer o festival. Encontrava-me no ápice. Tudo era questão de tranqüilidade. Mesmo porque, o festival inovara nas regras. Os participantes só saberiam na hora quais personagens representariam no palco. Teriam apenas dez minutos para isso. Não haveria outra chance. No mesmo dia o vencedor seria anunciado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festival recebera os principais nomes da cena teatral carioca. O local estava repleto de atores e diretores e produtores; um frisson geral. Nesse dia, acordei no mesmo horário ao qual estava habituada. Fiz minha caminhada matinal. Naveguei pela internet ao som de Dave Matthews Band. Não alterei meu cotidiano. Cheguei ao teatro como sempre atrasada. Permaneci concentradíssima, inclusive quando fui chamada ao palco. Porém, bastou o jurado indicar o que eu deveria representar. Bastou ele dizer: “seja você mesma”. Parada no palco, sob os olhares ansiosos da platéia, ouvi o que no momento não quis compreender. Mas o jurado repetiu: “seja você mesma. Não queremos que represente personagem algum. Optamos pela naturalidade à artificialidade. Aja normalmente, caracterizando-se. Tem dez minutos para isso a partir de agora”. Foi um golpe atroz aos meus tímpanos. Repassei mentalmente todos os personagens que já havia interpretado na vida. Tremi, suei, balancei, cambaleei, tremi, suei, tremi, suei. Só não fui eu mesma. Sob os olhares de uma platéia desconcertada, eu só fiz chorar. Verti lágrimas como um córrego de desilusão. De cócoras, pernas bambas, descabelada, chorei por descobrir que era o arremedo de muitos, jamais a singularidade de alguém. Jamais havia sido eu mesma. Mesmo a vitória no festival, sob os aplausos extasiados e equivocados do público, não foi capaz de me animar. Cheguei em casa arrasada. Desde então, semanas se passaram. Sempre na mesma rotina. Olho para meus escritos e tento adivinhar qual personagem escreveu aquilo. As fotos, os momentos, as cartas de amor. Quem vivenciou? Na cama, por sob cobertores, sempre tento recobrar minha face. Nunca me recordo. Não adivinho meu rosto. E por medo e por coragem, caminho até o espelho e vislumbro a minha imagem. Entretanto, mesmo revendo meu reflexo, a dor insiste em me derrubar. E todo dia, antes de dormir, descubro o porquê: A dor vem do receio. Receio por crer que meu reflexo seja mais feliz que eu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110038048876699004?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110038048876699004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110038048876699004&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110038048876699004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110038048876699004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/marina-alcntara-27-anos.html' title='Marina Alcântara, 27 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-110005657646902590</id><published>2004-11-10T01:11:00.000-02:00</published><updated>2004-11-10T01:29:59.223-02:00</updated><title type='text'>Ariane Martins, 23 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;....mas ele acha que disfarça. Utilizando uma faceta compreensiva, Felipe acha que pode enganar qualquer uma. Eu só vejo frivolidade por trás daquela doce carapaça. Aquele ombro amigo disposto a ajudar nos melhores e nos piores momentos. Seu olhar transborda gotas de volúpia, precisamente diluídas em suas lágrimas amistosas. De família rica, é mais um prepotentezinho idiota, como todos os seus amigos do futebol. Sinto o faro de gente assim. Percebi sua aproximação no rodízio. Seus olhares. Suas piadinhas...Não suporto piadas de homem. Todo mundo sabe que reunidos, eles exacerbam a postura machista. A disputa do rei da selva. Do melhor galo de briga. Enquanto as galinhas, em polvorosa, se depenam em piados submissos. Aguçam os olhos às chaves saltitantes na mão do cara. Eles são assim. Mal chegam num local e tiram as chaves do bolso. É imã aos olhos fúteis. Gustavo era uma caricatura disso. Menos pelas chaves que pelo jeito machista. Dizia não entender o porquê de tanta mulher na faculdade, "se de um jeito ou de outro vão acabar com a barriga no fogão". "Esse lance" de mulher moderna era balela, segundo ele. "Na hora de pagar a conta, elas bem que gostam de cavalheirismo". Comigo, ele nunca teve moleza. Nunca fui desses anacronismos idiotas. Sequer falo em feminismo. Aliás, odeio esse chavão. Tenho para mim que foi criado por um homem. Não é hora de olhar para o passado e celebrar as atuais conquistas no mercado de trabalho. Não tenho porque me vangloriar de uma coisa tão subentendida nos governos tenazes por uma falsa democracia. Minha irmã é gerente? Sim, como o pai da Flavinha também é. E daí? Parabéns a ela? Por quê? Por conquistar algo inerente à sua capacidade? Ahhh...eu e meus solilóquios. Meu professor diz que logo, logo, vou escrever um monólogo de auto-ajuda. Interpretado por uma diva brasileira, irá me gerar rios de dinheiro e uma aposentadoria precoce. Dou boas gargalhadas. Ele adora me provocar. Só o idiota do Felipe leva a sério. Me diz, repleto de meigos, que tenho talento. Outro dia ele levou seus amigos à chopada. Um bando de brutamontes. Bombados. As vozes esganiçadas em desgraçadas cantadas baratas. E o Felipe tentando uma de bom-moço. Puxando assunto comigo. Vivenciando seu interlúdio delicado. Até que ele tem um queixo bem bonitinho. Os olhos azuis. O cabelo lisinho. Ah...Agora ele deve estar lá, despido de sua pele de ovelha sem pastor. E eu há duas horas tentando iniciar uma monografia sobre Thomas Bernhard.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-110005657646902590?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/110005657646902590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=110005657646902590&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110005657646902590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/110005657646902590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/ariane-martins-23-anos.html' title='Ariane Martins, 23 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109971943289427542</id><published>2004-11-06T03:28:00.000-02:00</published><updated>2004-11-06T03:37:12.893-02:00</updated><title type='text'>João Cordeiro, 26 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Há muito tempo não escrevia aqui. Nossa. Muita novidade. Os cabras iam gostar. Tô trabalhando muito aqui no Rio. Antes não. Fiquei aperreado. Custei a ter emprego. Muita fila. Muito não. Tava quase comendo água e pão. Mas consegui. Consegui, diacho! Ah, os cabras iam gostar. Trabalho numa pizzaria chique. Num rodízio de pizzas. Muito sabor. Dizem que tem a maior variedade do Rio. Muita massa. Muita coisa boa. A moçada se diverte lá. Muita família. Muita criança. Aumentou depois da matéria no jornal. Elogiaram bastante. A pizzaria faz um programa social. Contrata gente pobre também. Gente sem chance. Graças a isso fui contratado. Pude alugar um quartinho. Morar sozinho. Morava com meu compadre. Cabra bom. Mas não podia ficar muito tempo na casa dele. Ainda mais empregado. No início, lavava prato. Limpava o chão. Meu sonho era a equipe que servia as pizzas. Ir ao cliente. Mostrar sorriso. Aceita pizza? Olhava os cabra e morria de inveja. Então. Um cabra dessa equipe foi despedido. O negão. A pizzaria tava em contenção de despesa. Fiquei com medo. Mas o gerente me deu uma chance. Ô, programa social arretado. Entrei na equipe. Fui todo embecado pra estréia. Perfume da Uruguaiana. Gel no cabelo. Tava feliz. Me botaram pra ocupar a função que era do Negão. Servir pizza de brócolis. Achei uma honra. Pizza diferente. Trabalho mole. No início, servia pouco antes da casa fechar. Eu passava com a pizza e ninguém aceitava. Achei que fosse pela hora. Nos dias seguintes, continuei com a beca. Passava de meia em meia hora levando pizza de brócolis. O dia todo. As pessoas mal olhavam pra pizza. Ninguém aceitava. A casa viu que não tava dando lucro. Noutro dia, a pizza de brócolis não tava mais lá. Me disseram que o pessoal não gostou. Me colocaram pra servir pizza de quiabo. A mesma coisa. Ninguém olhava praquela pizza de quiabo. Dois meses de trabalho. Ainda não tinha servido ninguém. Fui chamado pra falar com o gerente. Meu trabalho não tava agradando. Ele disse que eu não conseguia servir pizza. Mas o gerente é um cabra bom. Me deu outra chance. Me colocou pra servir pizza de jiló. Fiquei feliz com a chance. Treinei em frente ao espelho. Tinha que saber fazer as coisas pra agradar. Um repente? Servir dançando maracatu? Sou desengonçado. Os cabras aqui do Rio me sacaneiam. Sou um típico paraíba. Cabeça grande. Acachapada. Baixinho. Magrinho. Não ligo. Fico feliz que ninguém me trate assim no trabalho. Me acham sério. Me respeitam. Ninguém olha pra mim direito. Só o Negão falava comigo. A paraibinha faxineira também. Eles foram embora na contenção de despesa. Tô com medo. Disseram que vai ter outra. E ninguém ainda comeu a pizza de jiló. Nem olham pra pizza. Só dizem não. Mas eu espero.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109971943289427542?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109971943289427542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109971943289427542&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109971943289427542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109971943289427542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/joo-cordeiro-26-anos.html' title='João Cordeiro, 26 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109945228472834186</id><published>2004-11-03T01:18:00.000-02:00</published><updated>2004-11-03T01:24:44.726-02:00</updated><title type='text'>Joselino Freitas, 41 anos.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;O primeiro corpo, peguei pela manhã. Era um travesti feio pra burro, que ficou mais feio por causa da boceta na cara. Botaram no saco preto e pronto. Já era. O segundo corpo foi de um neguinho esmirrado, espirro de pica, cara de umseteum do cacete. Hamilton disse que os policiais tavam falando em assalto na favela. O cemitério tá transbordando desses tipos que morrem de bobeira, fazendo besteira. Depois vai o cunhado, ou o irmão, nunca a mulher, reconhecer ou tentar reconhecer o presunto no IML. No IML. Hamilton disse também que a paraibinha não vai querer mais me dar. Hoje é sexta, vou lá em São Cristóvão, feira dos paraíbas, dançar um rala-coxa, quero ver se ela não vai me dar. Quero ver. Esse vai-e-vem IML-vala, vala-IML tá foda. Qualquer dia largo esse emprego. Qualquer dia. Antes de pegar o terceiro corpo na Lapa, parei pra tomar uma cachaça. Porra, também sou filho de Deus. Fiquei conversando com o Hamilton. Ô cabra bom. Já me livrou de umas e outras aí. Devo muito a ele. Devo muito a ele. Ficamos no boteco um bom tempo botando as conversas em dia. É brabo, durante o trabalho, a gente não fala muito. Tem que levar os presuntos pro destino deles. É um silêncio desgraçado. Às vezes ligo o rádio pra ver se melhora. Leonardo, Daniel, Xitãozinho e Xororó, ô coisa boa. Hoje levei pouco passageiro. É assim que gosto de chamar os corpos, de passageiros. Pô, se for pra encarar a sério a brabeira de levar e trazer corpos pela cidade, ia ser foda. Tem que levar na sacanagem, na brincadeira. Hamilton não gosta muito das brincadeiras. Diz que não tenho respeito pelos mortos. Pô, já morreu mesmo, foda-se. Meu trabalho é levar corpo pro IML, não é paparicar defunto. Aliás, às vezes acho que o rabecão tinha que ter taxímetro. Eu ia tirar muito mais do que tiro por mês com esse salário de merda. Fazer corrida até a Zona Oeste ia dar maior grana. O taxímetro rodando no engarrafamento. De noite ia ser bandeira dois. Em pouco tempo dava pra fazer uma cooperativa de rabecão. Uma frota só minha, que sonho. Disque-rabecão do Freitas. Ia ter cartãozinho e tudo, coisa de bacana. É, porque levar corpo pro velório já todo engomadinho, como as funerárias fazem, é mole. Quero ver levar corpo escacetado. Quero ver. Às vezes eu sonho demais. Às vezes eu sonho de menos. Falo pra caralho, digo que é emprego de merda, mas gosto do que faço. Me considero um mensageiro de Deus, levando os corpos pra ele. Falo isso pro pastor lá da igreja, mas ele ri. Eu gosto mesmo. Acho que sou bom pra cacete nisso. Nego sabe que sou o melhor motorista lá do IML. Queria mesmo que no carro tivesse aquela plaquinha de funcionário do mês, que nem no Mcdonalds. Ia ser foda, a família desesperada, vendo o parente morto, mas por outro lado aliviada, por saber que o motorista que vai levar o corpo é o melhor do IML. O defunto vai tá em boas mãos. Pensei nisso tudo hoje. Vou dar essa idéia pro Antônio. Vai ser que nem com o aumento. Vai dizer que não é assim, que depende do governo e tals. Mas dane-se, vou falar. Vou falar também com a paraibinha. Pedir em casamento. Não, acho que não. É, melhor não. Ah! Um dia eu consigo. Um dia.&lt;/div&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109945228472834186?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109945228472834186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109945228472834186&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109945228472834186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109945228472834186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/11/joselino-freitas-41-anos.html' title='Joselino Freitas, 41 anos.'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109917645707837566</id><published>2004-10-30T19:43:00.000-03:00</published><updated>2004-10-30T19:47:37.080-03:00</updated><title type='text'>Marcos Loureiro, 39 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Que dia duro. Saí de casa às 6:30 da manhã e só voltei agora, já de madrugada. Tô cansado dessa vida, de levar passageiros por toda a cidade, ouvir desaforo, ser assaltado. Queria me aposentar, mas sou novo. Vou batalhar anos a fio nessa jornada diária cansativa pra não morrer na miséria. Isso porque meu ganha-pão é instável. Se conseguisse uma grana considerável e fixa durante a semana, talvez me aposentasse mais cedo. Mas há dias onde mal trabalho. Fico vagando pelas ruas da cidade sem êxito algum. Hoje, meu dia foi salvo pela dondoca. Deve ter seus sessenta anos, e por isso usa o táxi como principal meio de transporte. Sempre quando precisa, liga pra cooperativa e pede meus serviços. Mora em São Conrado, e quase sempre me faz levá-la ao São João Batista, em Botafogo. Diz que lá seu marido descansa da vida. Pelo menos uma vez por mês, diz ela, deposita flores na lápide. É uma senhora engraçada. Usa um blush ridículo, contrastando com sua pele de vela. Sempre acho que ela não vai voltar do cemitério, que vão enterrá-la por engano. Ela diz que sua vida perdeu o sentido. Não acredito muito, a dona tem bastante dinheiro. Outra endinheirada é uma madame que sempre pego na Urca. Muito bonita, sempre maquiada, vestindo roupas bonitas e vistosas, fala pouco, resumindo-se a dizer aonde vai e "quanto deu". Hoje foi assim. Ela ficou no Centro, na Uruguaiana. Lá, um jovem agitado e magricelo entrou no táxi. Disse que comprara um playstation 2, tinha medo de lhe roubarem. Falava gesticulando, repetindo a vitória do Vasco, a decadência do futebol carioca. Deixei-o em Bangu, de onde levei um casal à entrada da Vila Vintém. Eles falavam de seus projetos, da casa em construção no quintal da mãe, de seus cinco filhos, do futebol de sábado, das bebedeiras, da novela, da briga dos vizinhos, do tiroteio de ontem, da catapora do mais velho. Depois deles, só peguei passageiro na Avenida Brasil, na altura de Manguinhos. Depois em Vigário Geral, Caxias, Maracanã, Lapa, Barra, Gávea, Humaitá, Flamengo. Nessas andanças, cruzei com um rabecão na entrada de um hotel mixuruca na Lapa. Cheguei a me arrepiar com a cena, mas peguei o terço, rezei uma ave-maria e segui minha viagem. O resto do dia foi tranqüilo. Um passageiro aqui, outro ali, até que meia-noite deixava o último em Laranjeiras, onde fui parado por uma droga de blitz. Reclamaram dos pneus, disse que consertaria, disseram pr'eu me calar, não me calei, me deram tapa na cara, dei 50 conto, saí puto, com ódio. Cheguei em casa a pouco e minha mulher dormia. Tava com dor de cabeça, não quis me dar. Porra, minha cara tá vermelha, trabalhei pra caralho, tô cansado, tomei tapa na cara, morri em 50 conto e você não quer me dar? Ela me deu as costas. Eu meti porrada. Vadia, deve tá me traindo. Não tô pra sustentar vagabunda que só quer me dar quando tem vontade. Tem que me satisfazer. Agora vou dormir tranqüilo, aliviado, cara um pouco inchada, pronto pra acordar às 6:00, chegar na madruga, cansado da vida, querendo me aposentar. Amanhã é outro dia. O mesmo dia.&lt;/div&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109917645707837566?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109917645707837566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109917645707837566&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109917645707837566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109917645707837566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/marcos-loureiro-39-anos.html' title='Marcos Loureiro, 39 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109885697679718458</id><published>2004-10-27T02:58:00.000-03:00</published><updated>2004-10-27T03:09:23.103-03:00</updated><title type='text'>Rubens Carvalho, 32 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;O que confere a música esse poder de me esvair em lágrimas? Lágrimas mentais, lágrimas que ninguém vê, ninguém sente, só eu e mais ninguém. E quando alguém verá essas lágrimas que não deslizam em minha face, mas que estão vivas, mais vivas que se deslizassem? Essas malditas lágrimas, a cada nota, a cada palavra incompreensível de um inglês que eu não faço questão de aprender. Essa melodia que ecoa em meu cérebro, que uma vez apreciada retorna e me faz relembrar, que me transporta mentalmente, me faz ansiar pela volta a um momento insignificante, momento qualquer, alheio, mas que por causa de uma maldita melodia que me prende, me larga, me prende, me faz ansiar, ansiar pela volta, mas por que, por que quero voltar há um momento que sequer foi especial a não ser por essa melodia que agora eu ouço, que me comove, me faz chorar? Quando alguém verá essas lágrimas que são vertidas como notas musicais? Quando uma música fará outra pessoa chorar, chorar como eu? Quando uma nota comoverá a mim e mais alguém ao mesmo tempo, e nos fará ter memórias, lembranças, ânsias iguais - compartilhadas, fundidas, comuns?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Acabou a pilha, droga! E pior: corre um bolero enquanto escrevo. Que azar! Vem do quarto contíguo ao meu, de uma bicha velha, desprezível. Lamentações em tom menor cantadas em castelhano por uma mulher com voz de puta. Tenho vontade de destruir o aparelho de som desta maldita bicha! Quero dormir, esquecer, mas essa música não deixa. Sinto apenas saudade. Saudade de Curitiba, saudade de minha solidão inveterada, saudade de passar horas ouvindo música num discman fodido sem pensar em nada, apenas sentindo saudade, sem nem saber de quê. Sinto saudade de meu cotidiano vazio. De minhas aulas insossas de violão, de meus alunos medíocres. E justo agora que vim ao Rio tentar a sorte como músico, agora, que estou aqui há uma semana buscando perspectivas de vida, sinto saudade do tempo onde não queria ter essas tais "perspectivas de vida", do tempo onde vivia apenas o presente, ainda que sem graça. Sinto saudade de tudo que não fui, não sou e não serei. E agora, devido ao bolero e à saudade, só me resta o discman. Mas a pilha acabou, o que fazer? Continuar nesse somatório de insignificâncias que é minha vida? Claro que sim. Minha sorte é que o bolero também acabou. Com ele, a agonia que pairava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109885697679718458?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109885697679718458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109885697679718458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109885697679718458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109885697679718458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/rubens-carvalho-32-anos.html' title='Rubens Carvalho, 32 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109851272422655412</id><published>2004-10-23T03:20:00.000-03:00</published><updated>2004-10-23T03:25:24.226-03:00</updated><title type='text'>Marcela Cardoso, 29 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Trá-la-la-la. Tra-la-la-la-la-la. Tra-la-la. Foi ao som desse bolero que nos amamos. Começou e terminou com ele. Meu homem e eu, entrelaçados por gemidos, afagos e bolero. Deus queira que tenha sido nosso grande momento, que tenha sido a celebração de nosso elo definitivo. E tudo ao som de um bolero. Desde minha mudança para esse quarto em frente ao de Francisco, tenho ouvido todos os dias o mesmo bolero. Normalmente, ouço como um ruído contínuo que o cérebro já se habituou, como todo pequeno barulho que uma metrópole produz. Mas ainda há pouco, Francisco pôs num volume tão alto que o som atravessou a parede de seu quarto e rompeu a parede do meu como se não encontrasse obstáculos à frente. Não que o som me desagrade, já me tornei fã dessa música, mas ao meu homem não agradou. Minha sorte foi a sensualidade e o jogo de (com a) cintura que disponho para transir um homem. Compenetrado em penetrar, ele já não ouvia mais a música. Eu sim, atenta e preocupada, pude perceber cada nota proferida pelas cordas vocais de uma portenha. Se eu tivesse pretensões literárias, diria que a música acompanhou harmonicamente o processo sexual desempenhado em nosso quarto; as alterações no tom, as alternâncias de posição, de intensidade. Mas não foi assim. Foi um torvelinho de ruídos e desencontros entre a música e nossos movimentos. Houve um instante onde já não me concentrava no sexo. Em outro, o bolero, abstraído e divergido, soava solitário sussurrando suave ante os gemidos estridentes que eu fingia entre dentes. O fim parecia próximo. A cantora aprumando a voz para o ápice categórico e solene, enquanto eu gemia mais baixo a fim de ouvir o lindo final. Era quase o momento. A celebração da vida. O brotar de uma nova existência. O fim do ciclo como amante e o início como mãe e mulher. Eu gemendo como nunca gemera. Ele com um ímpeto descomunal. Ali, num quarto de hotel no meio da Lapa, ele gozava enquanto o bolero agonizava.&lt;/div&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109851272422655412?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109851272422655412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109851272422655412&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109851272422655412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109851272422655412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/marcela-cardoso-29-anos.html' title='Marcela Cardoso, 29 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109824673410878639</id><published>2004-10-20T01:29:00.000-03:00</published><updated>2004-10-20T01:33:46.323-03:00</updated><title type='text'>Francisco Maia, 46 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Graças a Deus hoje é meu último dia neste hotel. Decidi quando, ainda pela manhã, saí para caminhar. Enquanto tentava a cada esquina encontrar-me caído ao chão, voltei a crer que vivo num passado que nunca existiu, num passado utópico. Por minutos me vi como uma sombra esquálida que deslizou a vida inteira por ruas tortuosas. E compreendi que, não tendo me encontrado num local onde vivi grande parte da minha vida, já não me encontraria em lugar algum. Mesmo assim, quando retornei da caminhada, tendo sobre mim todo o peso de um futuro infeliz, pedi as contas na recepção do hotel. Disse que não mais seria hóspede e "funcionário" dali. Um passado de "glórias" me prendia à Lapa e a esse hotel. Um passado de muitas orgias, irresponsabilidade, drogas e bolero. "Já dei muito o cú neste hotel", foi o que eu disse, como justificativa à minha demissão. Muitas pessoas já me tiveram na cama e gozaram devido à minha boca e em minha boca. Mas agora que recordo, e escrevo estas palavras como as últimas neste hotel (talvez as últimas de minha vida), devo confessar que sou doente. Por toda minha vida fui um doente. Um doente incompreendido, que nunca compreendeu e nem quis compreender. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Ontem à noite, amofinado, fui ao bar espairecer. Só queria encher a cara, mas não pude evitar aquela vontade que me subjuga quando vejo um homem interessante. Regulava a minha idade. Encarei-o todo o tempo que pude agüentar, até que lhe ofereci uma bebida. Sua negativa foi veemente. Não repliquei, mas o álcool replicou por mim e quase fui pego por um soco. O bar estava vazio, ninguém esboçava qualquer reação apaziguadora, e o cara lá, continuando suas tentativas de agressão. Não pude me conter. Fiz valer meus anos de artes marciais e surrei o coitado, que saiu apressado do bar. Por meia hora permaneci bebendo como se nada tivesse ocorrido, até que o sujeito voltou portando uma faca e disparando ameaças. Não tive outra alternativa senão segui-lo. Levou-me para o mesmo hotel que o meu, e lá me trancou em seu quarto. O homem tremia, olhava para mim, para faca, para si e tremia. "Vire-se, tire a roupa", disse ele abruptamente. Tendo a faca como ameaça, virei sem ao menos gritar. Cerca de dez minutos se passaram. O homem virou-me, cansado, e disse: "agora, vá embora. E se ousar contar a alguém, juro que te mato viado filho-da-puta. Você não quis que eu te comesse, ao me comer com os olhos? Pronto, arrebentei teu cú, seu desgraçado. E agora saia, antes que eu me arrependa e te mate. Saia, e não volte nunca mais a este lugar". Saí. Do quarto, do corredor e do estado de transe sustentado desde a adolescência. Tinha 16 anos. Já era um doente. Sentia tesão por meu pai. Isso me inebriava e me enojava ao mesmo tempo. Meu pai sabia que eu era gay. Percebia meus olhares lascivos para ele, olhares que nem eu percebia. Talvez residisse nisso o subterfúgio para seus maus-tratos. Certa noite, alcoolizado, entrou no meu quarto e me estuprou. Nunca mais voltei àquela casa. Ontem, quando encurralado num quarto decrépito ouvi daquele homem o mesmo que ouvi de meu pai após ambos me estuprarem, dei fim ao meu transe. Dois fatos, duas sentenças. Uma para o transe, outra para a forca. E enquanto escrevo coisas que a vida toda evitei pensar, olho para forca como se olhasse para o mundo. Imagino a corda me sufocando. São duas e quinze da tarde. Liguei o som no mais alto volume. Sempre relacionei minha existência a um bolero. Temia que, acabado o bolero, minha vida acabasse. E agora, som ligado, ouço o bolero que está para acabar. Resta pouco tempo para o nosso fim. Dentro de minutos sairei daqui. De táxi....ou num rabecão.....é indiferente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109824673410878639?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109824673410878639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109824673410878639&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109824673410878639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109824673410878639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/francisco-maia-46-anos.html' title='Francisco Maia, 46 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109790244311655729</id><published>2004-10-16T01:43:00.000-03:00</published><updated>2004-10-16T01:54:03.116-03:00</updated><title type='text'>Carlos da Costa, 50 anos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Pontos negros pululam. Que porra é essa? A mesa se move. Minha mão treme. Lábios ressecados. Bebo água da bica. Água podre, imunda, fétida. Que merda. Minha boca tá seca. Quero publicar palavras. Minhas entranhas sussurram, dão nó. Acho que vou vomitar. Ah! De novo não. Tá escuro. A lua tá amarela. Cheia. Lua de camarão. Alguém me disse isso. Ah, meu pai. Porra, a lua tá escurecendo. Droga de nuvem. Lapa. Não enxergo o que escrevo. Tá escuro. O peitoril da janela não me serve de apoio. Meu diário escorrega. Acho que vou me jogar. Pára com isso, idéia maluca. Hotel chinfrim. Que porra é aquela lá embaixo? É o mendigo que comeu meu vômito. Que coisa nojenta. Ha-ha-ha-ha. O chão tá girando. O mendigo também. Um cara anda apressado. Pontos negros pululam. Minha cabeça gira. Tô com sede. Tem fogo lá embaixo. As pálpebras pesam. Tão queimando o mendigo. Um cara corre. Ri. Gritos. Latidos. O mendigo corre. Debate-se. O fogo cresce. Tem gente na janela. Um carro arranca. Vou sair da janela. Porra, caí. Vou acender a luz. A lâmpada queimou. Tô no escuro. Tô na janela. Sem rastros, nem fatos. Um burburinho lá embaixo. Meia-dúzia acode o mendigo. Uma gorda bonachona chora. Grita. Tem um bebê chorando. Minha cabeça gira. Acho que bebi demais. Pontos negros pululam. Mesas de metal. Música chinfrim. Um gordo mal-encarado. Paredes sujas. Banheiro que fedia a mijo. Que merda de bar. Bebi sozinho. Um viado me olhava. Eu bebia e ele me olhava. Que nojo. Viado filho-da-puta. Me oferece uma bebida. Safado. Um soco me acerta. Porra, meu olho tá inchado. Entrei na porrada. Viado safado. Quero dormir. Não consigo. Quero escrever. As verdinhas tão em alta. Bolsa no chão. Barulho chato. Sirene pisca. A rua tá vermelha. De sangue? Ambulância chega. A multidão se aglomera. Ninguém viu nada. Eu vi. Playboy safado. Ambulância arranca. Mendigo tá mal. Polícia na área. Vou descer. Não. Entranhas sussurram. O mar me assusta. Noite de lançamento. Medroso. Passado. Minha família abandonada. Cachaça barata. Que merda. Vira-vira. Um limão não, dois limões. Cheiro de vômito. Minha calça tá suja. Arrumadeira gostosa. Pontos negros pululam. Barata asquerosa. Tá morta. A rua tá vazia. Sem mendigo. Minha vida vadia. Sem sentido. Eu quero sonho. Eu quero poesia. Eu quero um nome que mate a morte. (Morte suja que oblitera minha vida.) Eu quero um nome que mate a vida. (Vida insosa que adia minha morte.) Eu quero um nome que mate o nome. (O mesmo nome desse mundo que me mata anônimo.) Eu quero um nome que me mate. Eu quero um nome que me reviva. (E que faça isso, infinitamente).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109790244311655729?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109790244311655729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109790244311655729&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109790244311655729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109790244311655729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/carlos-da-costa-50-anos.html' title='Carlos da Costa, 50 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109764117554093368</id><published>2004-10-13T01:13:00.000-03:00</published><updated>2004-10-27T03:11:01.576-03:00</updated><title type='text'>Daniel da Costa, 34 anos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acordei sobressaltado. Sonhei que via o meu rosto no rosto do jovem que matei ontem. Na verdade, meu sobressalto começou quando vieram até mim dois tipos estranhos. Um aparentando uns 50 anos, indicado por um conhecido em comum, propondo que eu matasse um sujeitinho que me pareceu desprezível, um playboyzinho da Zona Sul que ajudou a matar seu filho de porrada numa boate em Ipanema. O outro, o mais estranho, um jovem de aparência grotesca, trêmulo, hesitante em cada palavra, propondo que eu matasse um rapaz de 23 anos. Ao primeiro, disse que o serviço seria feito dentro de uma semana, já que ele não me dera um prazo definido; ao jovem, disse que faria ontem mesmo, tamanha a pressa que ele me pedira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Não tive problemas em encontrar o endereço da vítima, num prédio discreto da Glória. No apartamento, fui recebido pelo mesmo jovem grotesco que contratara os meus serviços pela manhã. Na hora, não compreendi sua presença, pensei até mesmo numa emboscada, mas o jovem disse que a vítima estava dormindo, e ele não queria que seu amigo fosse desperto no meio (quem sabe!?) de um bom sonho direto para morte. Estranhei, pensei na frieza daquele jovem, mas achei que poderia matá-lo a hora que quisesse - seria uma estupidez ele tentar algo contra mim. Sentamos no sofá da sala e começamos a falar um pouco sobre nós enquanto esperávamos que o sujeito acordasse. Falamos de nossa educação, de nossa juventude, de nossas famílias abandonadas por nossos pais, de nossa paixão por livros, de como perdêramos o emprego. Todos os fatos da minha juventude se assemelhavam de forma espantosa com a vida daquele rapaz. O tom de sua conversa declinava cada vez mais para melancolia, para sua visão pessimista de mundo, de humanidade, e eu me lembrava claramente de como o mundo era ruim para mim, tal como a ele, há uma década atrás. Mas com os anos, o pragmatismo tomou conta de minhas atitudes, e por isso, de tempos em tempos, eu interrompia sua voz e dizia que o pragmatismo era importante, que, "veja a mim, por exemplo, alguém voltado às letras, mas que num momento decisivo da vida, justamente com sua idade, tive como única alternativa de sustento uma arma, e dela faço o meu sustento até hoje”. Ele, porém, seguia em sua visão lírica, embriagado talvez pela morte próxima do amigo. "A vítima deve ter feito algo muito grave a ele", pensei, e foi nesse instante que me dei conta que o tempo havia corrido, que já anoitecera, e que o meu objetivo ainda não fora cumprido. Pedi a ele que me trouxesse a vítima, e ele me disse para aguardar um momento. Alguns minutos de ociosidade mental se passaram até que ele voltou sozinho do quarto. Eu já tinha a pistola à mão, e lhe perguntei onde estava a vítima. Ele nada respondeu. Novamente, perguntei a ele onde estava a vítima. Ele nada respondeu. Uma última vez, eu perguntei, "onde está a vítima", e ele nada respondeu. Foi então que percebi que ele era vítima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109764117554093368?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109764117554093368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109764117554093368&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109764117554093368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109764117554093368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/daniel-da-costa-34-anos.html' title='Daniel da Costa, 34 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109730005844252063</id><published>2004-10-09T02:29:00.000-03:00</published><updated>2004-10-09T02:41:13.783-03:00</updated><title type='text'>Diogo Nunes, 19, morto numa boate</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acabei de chegar da faculdade e já vou sair novamente. Irei a uma boate onde será comemorado o aniversário de uma amiga de Isabela. Estou exausto, queria mesmo era descansar o dia estafante de hoje, mas ok, fazer uma vontade alheia de vez em quando não me custa nada. Sobretudo quando esta vontade é de uma namorada insatisfeita. Acho que Isabela não compreende meus esforços na faculdade. Sei que às vezes exagero, mas Isabel precisa entender que faço engenharia, precisa entender que é um curso difícil, que exige muito estudo, muito suor. Qualquer deslize na faculdade pode destruir uma provável vida estável financeiramente. Assim, acho que meus esforços não serão em vão. Desde o primeiro dia na faculdade venho batalhando por um alto coeficiente de rendimento. Preciso ter notas altas, as mais altas, preciso vencer a grande competição interna da engenharia, essa competição tácita, quase não declarada, mas que existe em cada integral resolvida, em cada aula assistida. Sem notas altas, não conseguirei um bom estágio, não conseguirei destaque dentre os futuros engenheiros, dentro da própria faculdade. Além disso, é fundamental o domínio de toda e qualquer matéria que seja importante para formação de um engenheiro, pois o mercado de trabalho, sei, é muito duro com os menos aptos, os menos qualificados. Por isso, já me formei no inglês, inicio o espanhol, tenho cursos de informática, auto-cad, não paro no hall para jogar carteado, não vou às chopadas, não me atraso, não mato aula e não saio com Isabela durante a semana. Eu gosto muito dela. Não sei se a amo, mas creio que seria uma boa esposa. Creio que ela seria uma boa mãe. Mas por enquanto, não tendo idade nem condições para casar, trato, a cada dia, a cada semana, de entregar todas as minhas forças à preparação de um futuro que me reserve tudo que um cidadão-de-bem quer: um bom emprego, uma boa família - a felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109730005844252063?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109730005844252063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109730005844252063&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109730005844252063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109730005844252063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/diogo-nunes-19-morto-numa-boate.html' title='Diogo Nunes, 19, morto numa boate'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109704221481924263</id><published>2004-10-06T02:50:00.000-03:00</published><updated>2004-10-06T02:56:54.820-03:00</updated><title type='text'>Luís Nunes, 45, pai do rapaz espancado na boate.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu filho deu entrada no hospital às 3:45 da madrugada. Soube disso às 4:05, e cheguei lá às 4:36. Não sei a que horas ele faleceu, nem quero saber. Seu rosto estava completamente deformado, repleto de hematomas. Tinha um braço quebrado e duas costelas fraturadas. Não pude e nem quis ver quantos dentes ele perdeu. "Ele chegou ao hospital todo urinado, por causa da surra", disse o médico. Já eu cheguei esbaforido, assustado, com a pressão alterada. Minha mulher e Isabela só choravam. Ainda não sei ao certo o que houve, ou sei, mas ainda não compreendi. A expressão do médico, como um péssimo ator tentando representar tristeza. O entra e sai do hospital, trazendo feridos e levando mortos. A geladeira para qual meu filho foi. O velório ao meio-dia. Colegas da faculdade, amigos do meu trabalho, parentes, alguns tristes, outros dissimulados, numa dissimulação inconsciente. Aquele ar de praxe de velórios, a aparência cabisbaixa, o olhar vazio e curioso, aquela sensação de querer tudo, menos estar ali. Eu já meio embriagado, de emoção e de cachaça, tentando me mostrar firme, dissimulando também. Um teatro com o roteiro definido: os braços carregando o caixão, os passos trôpegos, os choros consternados, a terra pouco a pouco sobre o caixão, e uma sensação de tristeza angustiante. O choro contido se transforma numa propulsão de gritos, lágrima, pragas. "Por que aqueles animais acabaram com meu filho como se ele fosse a caça?" A bebida subindo ao cérebro, as palavras indecifráveis pelo álcool, pela tristeza, pelo soluço, soluço de um choro que comporta milhares de choros de pais como eu, que morrem ainda em vida, por não terem uma razão para viver, uma razão para sorrir, uma razão para o porquê. Por quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109704221481924263?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109704221481924263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109704221481924263&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109704221481924263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109704221481924263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/lus-nunes-45-pai-do-rapaz-espancado-na.html' title='Luís Nunes, 45, pai do rapaz espancado na boate.'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109670037873711864</id><published>2004-10-02T03:49:00.000-03:00</published><updated>2004-10-02T03:59:38.736-03:00</updated><title type='text'>Isabela, 20 anos, namorada do rapaz espancado na boate.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estou no hospital, e escrevo enquanto aguardo notícias do meu amor. Estou receosa, mas tenho fé, ele ficará bem. Na verdade, a culpa foi minha. Minha e de minha insensibilidade, de minha burrice, de meu ciúme. Graças a isso tudo meu namorado está gravemente ferido. Não. Pensando bem, a culpa foi dele. Nos últimos meses Diogo tem andado muito estranho. Desde muito acho que ele está me traindo, mas, para sua sorte, nunca tive provas. No início, foi uma leve desconfiança, e até serviu como um tempero ao nosso romance. Mas hoje, encaro como uma certeza. Ou não. O fato é que apesar de segui-lo, nada descobri de anormal em sua vida regrada. Entretanto, minha desconfiança não diminuiu, só aumentou. Por vezes, penso que ele seria incapaz de me trair, dado o seu carinho e atenção quando está ao meu lado; outras vezes, o desdém que recebo dele nos dias de semana me irrita profundamente e me dão certeza que aquele cachorro está me traindo. Eu choro, sinto ódio, mas meu orgulho sempre me impede de lhe dizer que sinto sua falta, que o quero diariamente ao meu lado, ao contrário, respondo seu desdém com desdém, fato que faz de nosso namoro uma antítese. Ontem, soube que a Diana comemoraria seu aniversário na Baronete. Seria hoje, uma ótima oportunidade para quebrar o gelo semanal e dar o primeiro passo para um entendimento em nosso namoro. Chamei-o na hora. A princípio, ele recusara, mas como insisti, ele acabou cedendo à minha vontade. Hoje, acordei feliz, alegre, apaixonada. O dia tardou a passar. Mas a noite, regada a doses de álcool e um vestido provocante, foi como um raio. Diogo notara o vestido, mas seu jeito, às vezes babaca, às vezes educado, o impediu de comentar alguma coisa. Talvez por isso, não me satisfiz. Tentei efetivamente pôr ciúmes em Diogo. Comecei a dançar desvairadamente e em certo momento passei a trocar olhares com um cara qualquer que surgiu e sumiu na multidão. Passadas algumas horas, encontrei-o novamente, dessa vez sozinha, mas, embriagada de forma idiota e infantil, sequer percebi que estava sem Diogo, ao contrário, achei que ele me observava, e comecei a dançar colada ao cara. Quando o beijo era iminente, senti uma mão em minhas costas: Diogo chegara, nos separara e tentava conversar educadamente com o cara. Apesar disso, não me intimidei e iniciei um caloroso strip-tease no centro da pista de dança, sem notar que os-olhares-transbordantes-de-tesão já não estavam direcionados a mim, um corpo semi-nu, e sim ao Diogo, um corpo ensangüentado, completamente aniquilado por cinco monstros. Foi a última cena que vi, antes de compreender que duas horas depois estava num hospital, já sem obsessão, sem possessão, sem inconsciência, sem futilidade, pouco me importando se com ou sem razão, apenas com minha consciência, que agora faz de mim um trapo-humano enquanto aguardo notícias de Diogo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109670037873711864?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109670037873711864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109670037873711864&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109670037873711864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109670037873711864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/10/isabela-20-anos-namorada-do-rapaz.html' title='Isabela, 20 anos, namorada do rapaz espancado na boate.'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109643083766994279</id><published>2004-09-29T01:52:00.000-03:00</published><updated>2004-09-29T01:21:37.016-03:00</updated><title type='text'>Carlos Eduardo, 20 anos, namorado de Patrícia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acordei hoje com uma puta ressaca, com um gosto de guarda-chuva molhado na boca, com sede pra caralho, e ainda meio seqüelado da night de ontem. Também, bebi pra cacete. A Baronete tava bombando, ainda bem que a Patrícia não foi, porque peguei muita mulher, já nem lembro quantas, de tanta vodka, cerveja, Redbull e bala. Começou ontem, com o puto do Ricardo me ligando às dez da noite, já nem tava a fim de sair, mas fazer o quê. Liguei pra Pat, falei umas merdas que ela gosta e fui pra zoação. Caralho, quando cheguei já tava a máfia toda lá, Carlão, Tadeu, Daniel, só brabo. Bebi umas paradinhas antes de entrar e fui logo chegando na primeira mulher que vi, nem lembro o nome daquela piranha, aliás, nunca lembro nome de mulher nenhuma. Tudo seguiu de forma tranqüila, até que, lá pro meio da night, encontramos um cara todo magricelo com uma vadia gostosa pra cacete do lado. A mulher, que tinha uma bunda maravilhosa (o peito era covardia!), tava com um vestido tão curto que me dá tesão só de lembrar. Marcelo foi o primeiro que a viu, deu umas encaradas, mas depois se perdeu na pegação. Quando a encontrou novamente, ela tava sozinha, sabe-se lá onde o otário do namorado estava, só sei que o Marcelo não perdeu tempo, foi logo investindo, diz ele que até iria pegar, mas o babacão do namorado dela voltou, cheio de marra, querendo tirar satisfações com Marcelo, só porque o cara tava conversando com a mina dele. Não demorou muito e o Marcelo reuniu a máfia pra tirar satisfações, só nego bombado, aliás, pra ser sincero, eu nem queria participar daquilo, tava amarradão com uma mina lá no meio, acho que dava até pra comer depois, mas amigo é pra essas coisas, fui lá com o Marcelo e com meus grandes parceiros ver qual era da parada. Quando eu vi a fuça de otário daquele cara, quase me mijei de rir, a mulher toda gostosa, dançando, e ele lá, paradão, só olhando. Marcelo foi o primeiro a dar um tronco, o cara olhou meio assustado, mas fingiu que não era com ele. Tadeu não perdeu tempo e deu outro empurrão, enquanto os moleques e eu cercávamos o otário. Daí pra acertar um soco na cara dele foi pouco. Minha mão tá doendo até agora de tanto que soquei o babaca. Daniel disse que deu uns cinco chutes no infeliz até que os seguranças chegaram e apartaram a briga, o cara lá, todo ensangüentado, e nós, como de costume, expulsos, só porque queríamos nos divertir. Sei que no final teve até polícia, mas o pai do Carlão, deputado estadual, cheio de amigos, não permitiu que houvesse maiores problemas pra gente. Só que agora, aquela bichinha do Marcelo tá na frente, é a décima segunda briga que ele arruma neste ano, o viado me passou. Ah, mas ele que me aguarde, isso não vai ficar assim não. Na próxima night eu empato com ele. Nem que seja porrando um mendigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109643083766994279?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109643083766994279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109643083766994279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109643083766994279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109643083766994279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/09/carlos-eduardo-20-anos-namorado-de.html' title='Carlos Eduardo, 20 anos, namorado de Patrícia'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109600288794356336</id><published>2004-09-24T02:08:00.000-03:00</published><updated>2004-09-24T03:27:35.066-03:00</updated><title type='text'>Patrícia, 17 anos, filha de José Carlos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Querido diário, hoje eu fui ao shopping comprar roupinhas. Meu pai que me levou. Há muito tempo não saía com meu pai, desde quando ele me deu um cartão de crédito com um bom limite! Puxa, fiquei tão feliz naquele dia. Mas hoje meu pai resolveu me levar, não sei porquê, já que ele tava com aquela cara emburrada e nem demorou, só deu umas andadas, acho que foi numa livraria e depois foi embora, porque não encontrei mais com ele por lá, graças a Deus, senão ia ficar me apressando. Eu gosto dele, ele me dá muitos presentes, mas o shopping tava cheio e nem rola do meu pai ficar de babá comigo, ainda mais com uma porção de gatinhos me dando mole. Mas nem beijei na boca, porque Deus sabe como sou fiel....rs. Só comprei roupinhas nas quatro horas que passei por lá. Fui na Equatore, porque tinha visto na quarta passada uma calça frenética, e acabei comprando também um casaquinho rosinha, porque eu não tinha nenhum casaquinho rosinha nesse tom. Quer dizer, tem um rosinha forte aqui em casa, bem cheguei, mas rosinha clarinho eu nem tinha. Depois fui na Cantão e comprei uma blusinha muito show. Acho até que a atendente ficou de saco cheio de mim, de tanto que eu experimentava roupa, porque no final ela já tava fazendo tudo de má vontade, que absurdo. Teve uma bota também, que eu comprei na Arezzo, muito lindaaaa. De resto, comprei outras duas blusinhas e uma calça jeans e ainda encontrei a Carla, um tempão que não encontrava com ela. Ela tá com o cabelo pior do que nunca, continua se vestindo daquela forma ridícula que só ela gosta e ainda usa um batom horroroso. Enfim, nem todo mundo tem bom gosto como eu. Bom, depois disso cheguei em casa e fui logo ligando pro meu gato pra dar uma moral pra ele porque hoje eu ia pra night sem ele. Ia, porque nem saí. Poxa, fiquei tão tristinha quando abri meu guarda-roupa e olhei pra todas as minhas trinta e cinco blusinhas, minhas quarenta e duas calças jeans, meus vinte e cinco sapatos, minhas treze botinhas, meus dezoito casaquinhos e não encontrei nada que combinasse, nada que me deixasse à vontade pra sair, e olha que foi um tal de tira e põe de roupa, mas mesmo assim, tive que ligar pra minha amiguxa e desmarcar. Ai, tô deprimida. Acho que amanhã vou sair pra comprar mais roupinhas pra ver se melhoro meu astral. Tô precisando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109600288794356336?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109600288794356336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109600288794356336&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109600288794356336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109600288794356336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/09/patrcia-17-anos-filha-de-jos-carlos.html' title='Patrícia, 17 anos, filha de José Carlos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8384017.post-109557248298135610</id><published>2004-09-23T02:37:00.000-03:00</published><updated>2004-09-26T02:23:59.240-03:00</updated><title type='text'>José Carlos, 43 anos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#cccccc;"&gt;Não existe nada mais frio, mais idiota, mais desumano que uma estatística. É duro crer que para história não passo de um número e que minha existência não passará de um censo demográfico que não me distinguirá nem ao menos do meu vizinho. Hoje, após mais um dia quase igual a todos que ordinariamente relato nesse diário, observei na internet mais uma estatística idiota, um número que alarma diversas pessoas, aquele maldito número, aqueles cinqüenta milhões de miseráveis que sobrevivem no Brasil. Quando leio dados como esse, sinto nojo, sobretudo quando a seguir ligo a tevê e vejo a propaganda eleitoral gratuita. É necessário muito estômago a um político para disparar os disparates contra os pobres ouvidos da massa imbecil que habita o Brasil. Hoje, quando vi na internet essa estatística, pensei profundamente sobre minha existência. Enquanto levava minha filha ao shopping, procurei recompor minuciosamente cada fato que minha memória relevava. Embriagado por esse alheamento e pelo ímpeto que me alavancava, entrei no banheiro do shopping e desabei sobre o espelho todas as lamúrias que me afligiam. Olhando para meu reflexo abatido, disse, falando cada vez mais alto: “me sinto enojado toda vez em que leio o jornal, vejo tevê, ouço rádio, me sinto enojado por viver num mundo como esse, onde implicitamente compactuo com tudo”.“Me sinto afrontado por cada passo que eu dou, ou por cada passo que os idiotas dão, por cada movimento que colabora para a engrenagem continuar a esmagar os desfavorecidos. Me sinto infeliz por tudo isso e por não poder fazer nada. Me sinto infeliz por não ser amado e por não conseguir amar e, principalmente, por não saber o que é isso. Por tudo isso e por todas as infelicidades que já vivi, por todos os desaforos, por todas as bolas foras que já dei, me sinto um miserável, mas não um miserável que as estatísticas a todo instante apontam, mas sim, um miserável de espírito, que sofre e que sente ódio e que chora e que vomita. E quanto a mim, e às pessoas como eu, que sofrem e que sentem ódio e que choram e que vomitam e que são miseráveis de espírito, e quanto a nós, que somos miseráveis e não fazemos parte dos cinqüenta milhões, o que será de nossa passagem pela terra quando morrermos e nossos contemporâneos também morrerem?”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#cccccc;"&gt;Olhando fixamente para minha imagem no espelho do banheiro de um shopping, talvez notando nela uma palidez que em mim eu não pudesse notar, aguardei que meu reflexo respondesse meu questionamento. Mas, em dois minutos de apreensiva espera, o único som que pude ouvir foi de uma descarga sanitária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8384017-109557248298135610?l=diariosdomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/feeds/109557248298135610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8384017&amp;postID=109557248298135610&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109557248298135610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8384017/posts/default/109557248298135610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariosdomundo.blogspot.com/2004/09/jos-carlos-43-anos.html' title='José Carlos, 43 anos'/><author><name>Bruno Domingues Machado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00672684463065651711</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
